Obra de Gianni Versace vira tema de exposição em Paris

Por Marina Semensato 11 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Obra de Gianni Versace vira tema de exposição em Paris

A obra de Gianni Versace será tema de uma grande retrospectiva em Paris a partir de junho, no Musée Maillol. A mostra reúne cerca de 450 itens, entre roupas, esboços, fotografias e arquivos, e marca o retorno das homenagens ao estilista no circuito institucional francês quase quatro décadas após sua última exposição no país.

Gianni Versace fundou a marca em 1968 e se tornou um dos designers mais conhecidos do mundo, muito por sua ousadia. Ele revolucionou a moda ao longo dos anos 80 e 90, ao apresentar uma alternativa de estilo que fundia o luxo clássico com a cultura pop.

Bastidores conturbados

O anúncio chega após um período conturbado na Versace. A grife atravessa uma transição simultânea de comando criativo e controle acionário.

Donatella Versace deixou a direção criativa em 2025, encerrando um ciclo de quase trinta anos à frente da grife. Ela assumiu o comando após o assassinato do irmão, em 1997, e foi responsável por manter a relevância da marca em um cenário que mudou radicalmente desde os anos 2000.

A transição não foi linear. Dario Vitale, vindo da Miu Miu, assumiu o posto em abril de 2025, mas deixou a função poucos meses depois, após apresentar apenas uma coleção e perder tração frente a concorrentes mais ágeis.

Agora, Pieter Mulier, ex-Alaïa, assume em julho. Sua estreia deve acontecer apenas em 2027, o que indica um intervalo de reconstrução mais longo do que o habitual no calendário da moda.

A entrada da Prada e o desafio financeiro

Em paralelo às mudanças criativas, a Versace mudou de dono. O Grupo Prada concluiu a aquisição da marca por cerca de € 1,25 bilhão, sua maior aposta estratégica até hoje.

A operação ocorre em um momento de pressão sobre os resultados. A Versace faturou € 684 milhões em 2025, queda importante em relação ao ano anterior. A expectativa é de continuidade desse desempenho no curto prazo, enquanto a reestruturação avança.

Para a Prada, o movimento amplia o portfólio, hoje puxado sobretudo pela jovem Miu Miu. Ao mesmo tempo, é um desafio integrar uma marca com identidade forte, porém desgastada comercialmente.

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