OMC discute estender por cinco anos moratória sobre tarifas no comércio eletrônico
A Organização Mundial do Comércio (OMC) avalia estender por mais cinco anos a proibição de tarifas sobre o comércio eletrônico, segundo um rascunho de declaração que circulava neste domingo entre os países-membros.
A chamada moratória sobre direitos aduaneiros em transmissões eletrônicas, serviços digitais entregues online, tem sido renovada a cada dois anos nas conferências ministeriais da OMC. O instrumento impede que países cobrem tarifas sobre fluxos digitais, como softwares, vídeos, jogos e serviços em nuvem.
O tema ganhou centralidade na 14ª Conferência Ministerial da OMC, a MC14, iniciada na quinta-feira em Yaoundé, capital de Camarões. O encontro reúne representantes de comércio de dezenas de países para discutir regras globais em meio à expansão da economia digital.
Em declaração divulgada no início da conferência, o representante de comércio dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que transformar a medida em permanente seria uma decisão de baixo custo político e alto impacto econômico.
“Não estamos interessados em outra extensão temporária da moratória”, disse. Segundo ele, a renovação periódica não oferece previsibilidade suficiente para empresas que operam no ambiente digital e pode enfraquecer o papel institucional da OMC.
A posição norte-americana reflete a relevância do comércio digital para grandes empresas de tecnologia e serviços, que dependem de regras estáveis para operar globalmente.
Disputa entre previsibilidade e arrecadação marca debate
A possível extensão da moratória expõe um impasse estrutural entre países desenvolvidos e economias emergentes. Enquanto nações com forte presença no setor digital defendem regras permanentes, parte dos países em desenvolvimento argumenta que a proibição limita o potencial de arrecadação tributária.
Esses países avaliam que a digitalização da economia reduz a base tributária tradicional e defendem maior flexibilidade para adotar tarifas no futuro, sobretudo em setores estratégicos.
Desde sua criação, em 1998, a moratória tem funcionado como um dos pilares da governança do comércio digital global. No entanto, a ausência de consenso sobre sua permanência indica os desafios da OMC em atualizar regras diante das transformações tecnológicas e geopolíticas.
A decisão final deve ser negociada ao longo da conferência, com impacto direto sobre empresas de tecnologia, plataformas digitais e fluxos internacionais de serviços nas próximas décadas.
Com Agência O Globo.
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