Oposição a Lula evita vínculo com Flávio Bolsonaro no Nordeste

Por Estela Marconi 29 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Oposição a Lula evita vínculo com Flávio Bolsonaro no Nordeste

Pré-candidatos aos governos estaduais no Nordeste que enfrentarão adversários apoiados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva têm evitado transformar as eleições locais em um embate entre petismo e bolsonarismo.

A estratégia é priorizar temas regionais e manter distância do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, em uma tentativa de reduzir o peso da disputa nacional sobre as campanhas estaduais.

Entre os nomes que adotam essa postura estão a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), no Ceará, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), na Bahia, e o ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD), no Maranhão. Todos disputam ou devem disputar governos estaduais contra candidatos alinhados ao Palácio do Planalto.

Segundo especialistas ouvidos pelo O Globo, a estratégia reflete a força eleitoral de Lula na região e a percepção de que uma associação ao bolsonarismo pode limitar o crescimento desses candidatos. Ao mesmo tempo, pesquisas indicam que parte do eleitorado tem diferenciado cada vez mais o voto para governador da escolha para presidente.

Campanhas priorizam temas locais

No Ceará, Ciro Gomes enfrenta o governador Elmano de Freitas (PT), candidato à reeleição. Embora o diretório estadual do PL negocie participação em sua chapa para o Senado, o tucano descarta, neste momento, apoiar formalmente Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.

A campanha de Ciro tem concentrado o discurso em segurança pública, economia e saúde, enquanto o PT busca associá-lo ao bolsonarismo. Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada em junho mostra o ex-ministro com 44% das intenções de voto, à frente de Elmano, que aparece com 33%.

Na Bahia, ACM Neto também evita vincular sua candidatura ao senador do PL, apesar de contar com um aliado do partido na chapa ao Senado. O ex-prefeito de Salvador intensificou críticas ao governador Jerônimo Rodrigues (PT), sobretudo nas áreas de segurança pública e economia, apostando em uma campanha centrada nos problemas do estado.

Em Pernambuco, o cenário é diferente. Raquel Lyra tenta reduzir os impactos do apoio de Lula ao ex-prefeito do Recife João Campos (PSB). A governadora concentra a campanha em entregas da gestão e na articulação com prefeitos, enquanto aliados trabalham para evitar uma participação mais intensa do presidente no estado durante o primeiro turno.

Já no Maranhão, Eduardo Braide tem rejeitado tanto uma aproximação com Lula quanto com Flávio Bolsonaro. Líder nas pesquisas, o ex-prefeito de São Luís afirma que pretende manter o foco em temas como infraestrutura, saúde, educação e desenvolvimento econômico.

Para cientistas políticos ouvidos pelo O Globo, a regionalização das campanhas tende a ganhar força nas eleições deste ano. A avaliação é que candidatos de oposição ao PT buscam evitar que a popularidade de Lula no Nordeste beneficie diretamente os adversários estaduais, concentrando o debate em problemas locais e na avaliação das administrações de cada estado.

*Com o Globo

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