Oposição de Israel rejeita acordo de Trump com o Irã e critica concessões a Teerã
Os principais líderes da oposição israelense criticaram nesta segunda-feira, 15, o acordo anunciado entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz.
Políticos de diferentes espectros ideológicos afirmaram que o pacto não atende aos interesses de segurança de Israel e concede vantagens excessivas a Teerã.
O ex-chefe do Estado-Maior e líder do partido centrista Yashar!, Gadi Eisenkot, afirmou que Israel acordou diante de um acordo negociado sem a participação do país.
Segundo ele, o governo de Benjamin Netanyahu perdeu a oportunidade de garantir um entendimento que preservasse a liberdade de ação militar israelense na região.
"Israel amanhece hoje diante de um acordo que está sendo gestado longe daqui e de seus interesses", escreveu Eisenkot na rede social X.
O líder centrista também criticou o fato de os israelenses terem tomado conhecimento do acordo por meio de autoridades estrangeiras, enquanto Netanyahu não se pronunciou diretamente sobre o tema.
As críticas partiram de diferentes setores do cenário político israelense. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, uma das principais vozes da direita, declarou que Israel não deve aceitar nenhum acordo que não inclua o desmantelamento do Hezbollah.
Ben Gvir acrescentou que, embora Israel mantenha uma relação próxima com os Estados Unidos e com o presidente Donald Trump, o país não deve aceitar decisões externas que afetem sua segurança nacional.
Pela esquerda, o líder do partido Democratas, Yair Golan, classificou o anúncio como uma "manhã difícil para Israel". Segundo ele, o pacto compromete ganhos militares obtidos durante o conflito.
Golan afirmou que o acordo preserva a infraestrutura nuclear iraniana, mantém a capacidade de produção de mísseis balísticos e oferece uma sobrevida econômica ao regime dos aiatolás.
Acordo será assinado na Suíça
Estados Unidos e Irã anunciaram no domingo um acordo para encerrar a guerra que já dura mais de 100 dias e provocou fortes impactos no mercado global de petróleo.
O Paquistão, que atuou como mediador das negociações, informou que as partes devem assinar um memorando de entendimento na próxima sexta-feira, 19, na Suíça.
Apesar do anúncio, os detalhes do acordo ainda não foram divulgados oficialmente. Entre os principais pontos pendentes estão o futuro do programa nuclear iraniano, a possível flexibilização de sanções econômicas e a liberação de recursos iranianos bloqueados no exterior.
Washington vinha defendendo que Teerã abandonasse qualquer possibilidade de desenvolver armas nucleares e entregasse seu estoque de material enriquecido. Já o governo iraniano exige o fim das sanções e o acesso a bilhões de dólares atualmente congelados fora do país.
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