Os fatores que atrasam o financiamento climático, segundo o presidente da COP30

Por Letícia Ozório 15 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Os fatores que atrasam o financiamento climático, segundo o presidente da COP30

A presidência brasileira da COP30 quer avançar na mobilização de US$ 1,3 trilhão anuais para países em desenvolvimento até 2030, mas reconhece um problema central: a falta de dados confiáveis sobre o financiamento climático global.

“Não conseguimos encontrar informação suficiente sobre as fontes de financiamento”, afirmou o embaixador André Corrêa do Lago.

Segundo ele, a nova versão do roadmap de adaptação buscará preencher essas lacunas e poderá incluir mecanismos de monitoramento mais robustos. Hoje, diferentes instituições apresentam números divergentes — como já ocorreu com a meta de US$ 100 bilhões definida em Copenhague.

O presidente da COP30 concedeu entrevista coletiva durante as reuniões da primavera do Fundo Monetário Internacional.

Financiamento climático

Além disso, o Brasil aposta em uma nova estrutura para financiamento climático: o Tropical Forest Forever Facility (TFFF), voltado à conservação de florestas.

Diferentemente de fundos tradicionais, como o Green Climate Fund, o TFFF opera fora das regras da Convenção do Clima da ONU e do Acordo de Paris. Isso permite maior flexibilidade, inclusive para que países em desenvolvimento também contribuam.

“O TFFF tem uma lógica própria, mais dinâmica, que não depende do consenso das negociações internacionais”, explicou.

Fundo Florestas Tropicais para Sempre

O fundo já conta com compromissos superiores a US$ 7 bilhões, e busca atrair mais recursos ao longo de 2026.

A proposta surge da avaliação de que os mecanismos atuais não conseguiram responder com a velocidade necessária ao avanço do desmatamento.

O objetivo é financiar a conservação florestal — área que, segundo o governo brasileiro, ainda carece de instrumentos eficazes no sistema internacional.

Para o embaixador, a urgência é clara: sem conter o desmatamento global, há risco de atingir pontos de não retorno climáticos, com consequências “devastadoras”.

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