Ossos achados na Etiópia podem revelar cremação humana mais antiga
Vestígios encontrados em um sítio arqueológico na Etiópia podem representar a evidência mais antiga já identificada de cremação humana. Segundo pesquisadores, ossos com sinais de exposição intensa ao fogo indicam que grupos humanos poderiam já manipular corpos em práticas funerárias há cerca de 100 mil anos.
O estudo foi publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences e analisou materiais encontrados em Middle Awash, no Vale do Rift de Afar, região considerada uma das mais importantes para pesquisas sobre a origem humana. A região estende-se desde o norte da Síria até o centro de Moçambique.
Vestígios apresentam sinais raros de fogo intenso
Os pesquisadores identificaram ossos humanos com marcas típicas de exposição a altas temperaturas, incluindo rachaduras, carbonização, fragmentação e alterações de cor. Segundo a equipe, tanto um molar quanto fragmentos ósseos encontrados na superfície apresentavam sinais compatíveis com queima intensa.
As alterações observadas se aproximam das identificadas em análises forenses modernas envolvendo cremação. Mesmo assim, os autores afirmam que ainda não é possível confirmar com certeza que se trata de uma cremação intencional.
Incêndios naturais dificultam conclusão
Apesar das evidências, os cientistas explicam que o local também apresenta sinais de incêndios naturais e outras fontes de fogo intenso, o que dificulta determinar exatamente como os ossos foram queimados.
Ainda assim, caso a hipótese seja confirmada, o achado pode revelar uma prática funerária desconhecida entre grupos humanos do Paleolítico Médio.
Segundo os pesquisadores, isso indicaria que populações antigas já utilizavam o fogo não apenas para sobrevivência e alimentação, mas também em possíveis rituais ligados à morte.
Como viviam os primeiros Homo sapiens?
Além dos ossos queimados, o estudo trouxe novas informações sobre o cotidiano humano no leste africano há cerca de 100 mil anos. Os pesquisadores encontraram milhares de ferramentas de pedra em camadas preservadas do sítio arqueológico, indicando que grupos humanos retornavam repetidamente à região.
Objetos produzidos com obsidiana (uma espécie de vidro vulcânico) de áreas distantes também sugerem deslocamentos frequentes e rotas de circulação maiores do que se imaginava para a época.
A análise de mais de 3 mil fósseis de animais revelou ainda um ambiente diverso, com presença de macacos, roedores e grandes mamíferos. Segundo os autores, as descobertas ajudam cientistas a entender como os primeiros Homo sapiens interagiam com o ambiente e se adaptavam às mudanças na região do antigo rio Awash, na Etiópia.
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