Otan precisa de mais forças e recursos, diz secretário-geral após cortes dos EUA
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou nesta quarta-feira, 17, que a aliança militar precisa de “mais forças, mais recursos e uma base industrial muito mais forte” diante do atual cenário de segurança global. A declaração foi feita um dia antes da reunião dos ministros da Defesa da Otan, em Bruxelas.
Rutte minimizou os impactos da redução de aeronaves e navios de guerra que os Estados Unidos disponibilizam para operações da aliança na Europa. Segundo ele, Washington segue comprometido com a Otan, mas espera que os aliados assumam uma parcela maior dos custos da defesa do continente.
“Os EUA deixaram claro que estão comprometidos com a Otan. Esse compromisso vem acompanhado da expectativa de que os aliados compartilhem de forma mais justa a responsabilidade por nossa segurança aqui na Europa”, afirmou.
Segundo informações publicadas pelo jornal The New York Times, os Estados Unidos planejam reduzir significativamente a quantidade de caças, aeronaves de vigilância, aviões-tanque, navios de guerra e outros meios militares destinados às operações da Otan. A medida gera preocupação entre países europeus, que temem uma redução da capacidade de dissuasão diante da Rússia.
Rutte, porém, afirmou que a mudança faz parte de um ajuste no modelo de forças da aliança e que outros países já estão ampliando suas contribuições.
Meta de gastos militares
O secretário-geral também cobrou que os aliados apresentem planos concretos para cumprir a meta aprovada pela Otan de destinar 5% do Produto Interno Bruto (PIB) para defesa até 2035.
“Espero que os países apresentem planos claros, concretos e críveis para atingir esse objetivo, de preferência bem antes do prazo acordado”, disse.
Durante a coletiva, Rutte elogiou o acordo firmado entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio. Segundo ele, o entendimento representa uma oportunidade para impedir que Teerã desenvolva armas nucleares e contribuir para a estabilidade internacional.
Questionado sobre uma possível atuação da Otan no Estreito de Ormuz, o secretário-geral afirmou que França e Reino Unido já coordenam iniciativas na região e que a aliança poderá participar caso seja solicitado.
Rutte também garantiu a continuidade do apoio à Ucrânia. Segundo ele, a prioridade será assegurar recursos financeiros e equipamentos militares para que Kiev mantenha sua capacidade de defesa, incluindo interceptadores para sistemas Patriot.
A reunião dos ministros da Defesa da Otan acontece nesta quinta-feira, em Bruxelas, e servirá de preparação para a próxima cúpula da aliança, marcada para ocorrer em Ancara.
*Com O Globo
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