Ozempic impulsiona expansão de galpões refrigerados no entorno das cidades
O mercado logístico brasileiro passa por uma transformação significativa que também envolve o crescimento das vendas de medicamentos biológicos e canetas emagrecedoras. Segundo levantamento do GRI Institute divulgado com exclusividade pela EXAME, 44% dos executivos apontam que a principal necessidade do setor agora é o desenvolvimento de áreas menores e pulverizadas próximas aos centros urbanos, permitindo agilidade e rapidez na última milha.
O estudo foi construído a partir de perguntas feitas a mais de 150 executivos do setor durante um encontro do GRI, incluindo lideranças da Prologis LatAm, Shopee, BTG Pactual, gestoras de FIIs e grandes operadores logísticos.
Pelo menos 12% destacam a demanda por galpões refrigerados de alta tecnologia e espaços multitemperatura, essenciais para o transporte seguro e o monitoramento rigoroso de medicamentos sensíveis à temperatura.
"O desenvolvimento de áreas menores e mais pulverizadas próximas aos centros urbanos justamente atenderia à agilidade que o setor de saúde exige. Os medicamentos biológicos exigem um controle térmico rigoroso e monitoramento de ponta a ponta. As canetas emagrecedoras não são apenas uma tendência de consumo, mas um acelerador para a modernização e a sofisticação da infraestrutura de última milha no Brasil", explica Alexandre Fernandes, diretor geral do GRI Institute.
A expansão regional e operações de last mile fora do Sudeste lideram com 37% das respostas, superando novos projetos em regiões consolidadas. Por outro lado, o custo elevado de terrenos urbanos concentra 66% das dificuldades para construção de novos galpões, especialmente em áreas densas, onde a logística disputa espaço com empreendimentos residenciais e comerciais.
"A conta para viabilizar novos condomínios logísticos nas franjas das grandes metrópoles do Sudeste ficou complexa. O setor logístico acaba disputando espaço diretamente com incorporações residenciais e comerciais de alto valor. Ao descentralizar os investimentos para capitais do Nordeste, Sul e Centro-Oeste, os desenvolvedores encontram terrenos com valores mais competitivos e, simultaneamente, capturam uma demanda reprimida do e-commerce e do varejo regional, que precisam descentralizar seus estoques para entregar mais rápido. O próximo ciclo não abandona o Sudeste, mas consagra a regionalização como a tese de melhor relação risco-retorno do mercado", explica Fernandes.
Canetas chegam em peso ao Brasil
A caneta emagrecedora da EMS foi recentemente aprovada pela Anvisa e chega às farmácias nessa semana. O Ozivy foi desenvolvido integralmente pela farmacêutica, com tecnologia e produção nacionais, e chega com preço cerca de 30% mais acessível do que o produto de referência – o Ozempic.
"O preço médio cai, mas o volume muito mais do que dobra, por mais gente ter acesso", afirma Renato Raduan, CEO da RD Saúde. Recentemente, o grupo inaugurou em Itupeva, interior de São Paulo, um novo centro de distribuição com a maior câmara refrigerada entre os 16 CDs do grupo. Todo o CD é capaz de armazenar até 28 milhões de medicamentos e movimentar 420 mil itens por dia. A câmara, por sua vez, tem cerca de 300 metros quadrados.
“Seguramente, entre as redes de farmácia, estamos com a maior câmara de refrigeração do Brasil aqui”, disse Raduan. O investimento se justifica: juntas, as redes Raia e Drogasil têm pelo menos 50% do market share do mercado de canetas emagrecedoras.
Segundo a empresa, esses produtos já representam mais de 10% do faturamento da rede e foram um dos principais vetores do crescimento de 29,3% da categoria de medicamentos de marca no primeiro trimestre de 2026.
Apesar de pressionarem a margem bruta percentual, as canetas geram uma massa de lucro relevante devido ao elevado valor unitário. Além disso, funcionam como um gerador de tráfego: pacientes em tratamento de longo prazo acabam consumindo também vitaminas, suplementos, produtos de cuidados pessoais e dermocosméticos, aumentando o tíquete médio e fortalecendo a relação com a rede.
A RD Saúde acompanha o ritmo de crescimento abrindo cerca de uma nova farmácia por dia e mantendo a meta de um centro de distribuição por ano. Cada planta logística é dimensionada para atender entre 250 e 350 lojas, garantindo cobertura nacional e eficiência na distribuição.
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