Ozempic no orçamento: 62% deixam outros gastos para manter uso das canetas

Por Ana Luiza Serrão 25 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ozempic no orçamento: 62% deixam outros gastos para manter uso das canetas

O uso de medicamentos injetáveis à base de GLP-1 — as chamadas canetas emagrecedoras, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro — já começa a pesar no bolso e a mudar as prioridades de consumo das famílias brasileiras.

Um levantamento da NielsenIQ, acessado pela EXAME, mostra que 62,2% dos usuários passaram a deixar outros gastos em segundo plano para conseguir manter o tratamento.

Ao todo, 84% dos lares que utilizam esses medicamentos relatam efeito de moderado a alto no orçamento, e "mais de 60% sofrem uma despriorização de outros gastos", aponta o estudo A Nova Economia do Apetite.

Entre os entrevistados, 17,1% classificam o impacto como muito alto, enquanto 32,6% indicam impacto alto e 34,2%, moderado.

Alto custo mensal das canetas

Entre os usuários recorrentes, 34,2% gastam mais de R$ 1.200 por mês nas canetas emagrecedoras, e 28,5% desembolsam entre R$ 801 e R$ 1.200.

Na prática, o ajuste recai sobre despesas do dia a dia. "Saída a bares" aparece como o principal item afetado, citado por 62,3% dos consumidores. Também perdem espaço serviços (56,6%), restaurantes (54,9%) e lazer (50%).

Até compras de supermercado entram na conta, mencionadas por 16,4%.

Apesar do impacto, a adoção ainda é limitada. Apenas 4,6% dos lares brasileiros utilizam medicamentos da classe GLP-1, enquanto 26,1% demonstram interesse, mas não aderem por causa do preço ou receio de efeitos colaterais.

O estudo indica alto interesse, mas barreiras relevantes de acesso, indicando espaço para crescimento.

O líder de insights da indústria da NielsenIQ, Gabriel Fagundes, pontuou ainda que "a queda da patente em março, combinada com um maior conhecimento sobre o medicamento, seus riscos e benefícios, deve favorecer o uso de 26% (dos entrevistados) que têm interesse em utilizar ao longo do tempo."

Hoje, o consumo está concentrado em famílias de maior renda: lares de nível socioeconômico alto representam 69,5% dos usuários, com predominância de pessoas entre 36 e 50 anos e sem crianças.

Efeitos sobre setores e perspectivas

A redistribuição de gastos já aponta efeitos para diferentes setores. Categorias ligadas a lazer e alimentação fora do lar tendem a perder espaço, enquanto o canal farmacêutico ganha relevância.

Dados da NielsenIQ mostram que oito dos dez itens com maior faturamento no canal farmacêutico em 2026 são medicamentos injetáveis à base de GLP-1.

No recorte regional, o uso das canetas emagrecedoras se concentra principalmente no Centro-Oeste, que lidera com 8,2% dos lares, seguido pelas regiões Leste e Sul, ambas com 5,5%, e pela Grande São Paulo, com 5,1%.

Já quando se observa o potencial de crescimento, São Paulo se destaca com 33,4% de interessados, seguido pela região do Grande Rio de Janeiro, com 29,5%.

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