Ozempic pode reduzir risco de dependência de álcool e drogas, indica estudo

Por Vanessa Loiola 15 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ozempic pode reduzir risco de dependência de álcool e drogas, indica estudo

Medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, amplamente utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, podem estar associados a um benefício adicional além da perda de peso. Um estudo com mais de 600 mil pessoas encontrou uma relação entre os remédios da classe GLP-1 e menores riscos de dependência química, overdose e morte relacionada ao uso de drogas.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Washington em St. Louis (WashU Medicine) e publicada na revista científica The BMJ. Os resultados sugerem que medicamentos como a semaglutida podem influenciar mecanismos cerebrais ligados ao desejo compulsivo por substâncias como álcool, nicotina, opioides, cocaína e cannabis.

Como o estudo foi feito

Para investigar essa possibilidade, os pesquisadores analisaram os registros médicos de 606.434 veteranos dos Estados Unidos com diabetes tipo 2.

Os participantes foram divididos entre usuários de medicamentos da classe GLP-1 — incluindo semaglutida, liraglutida e dulaglutida — e pacientes que utilizavam outros tratamentos para diabetes.

Entre os 524.817 participantes que não apresentavam histórico de transtorno por uso de substâncias no início do estudo, aqueles que utilizavam medicamentos GLP-1 tiveram um risco 14% menor de desenvolver algum tipo de dependência ao longo do acompanhamento.

As reduções foram observadas em diferentes categorias:

Segundo os pesquisadores, isso representa cerca de sete diagnósticos a menos de transtorno por uso de substâncias para cada mil usuários desses medicamentos.

Menos overdoses e mortes

A análise incluiu ainda 81.617 participantes que já tinham diagnóstico de dependência química. Nesse grupo, os pesquisadores observaram uma redução significativa em eventos graves relacionados ao uso de substâncias.

Após três anos de acompanhamento, os usuários de medicamentos GLP-1 apresentaram:

De forma geral, os autores estimaram que o tratamento esteve associado a cerca de 12 eventos graves a menos relacionados à dependência para cada mil pacientes.

O possível efeito no cérebro

Os agonistas do receptor GLP-1 foram desenvolvidos originalmente para controlar a glicose no sangue e auxiliar no tratamento da obesidade. Nos últimos anos, porém, médicos começaram a relatar que alguns pacientes também apresentavam redução do interesse por álcool, cigarro e outras substâncias.

Essas observações levaram pesquisadores a investigar o papel dos receptores de GLP-1 em áreas do cérebro associadas à recompensa, ao prazer e ao controle dos impulsos.

A hipótese é que esses medicamentos atuem sobre mecanismos biológicos relacionados ao desejo intenso, conhecido como craving, que está presente em diferentes tipos de dependência química. Isso poderia explicar por que os benefícios foram observados em diversas substâncias e não apenas em um tipo específico de vício.

O que a descoberta significa?

Os pesquisadores ressaltam que o estudo identificou uma associação entre o uso dos medicamentos e a redução dos riscos relacionados à dependência, mas não comprova uma relação direta de causa e efeito.

Por esse motivo, serão necessários ensaios clínicos específicos para determinar se medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro podem ser utilizados futuramente como parte do tratamento para alcoolismo, dependência de nicotina, uso de opioides e outros transtornos relacionados ao uso de substâncias.

Ainda assim, os resultados reforçam uma linha de pesquisa que vem ganhando atenção nos últimos anos e sugerem que os medicamentos da classe GLP-1 podem ter efeitos mais amplos do que o controle do peso e do diabetes, abrindo novas possibilidades para o tratamento de condições associadas ao vício.

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