Pacto Global da ONU chega a 389 empresas no Brasil e expande agenda para todos os biomas

Por Sofia Schuck 3 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Pacto Global da ONU chega a 389 empresas no Brasil e expande agenda para todos os biomas

As empresas brasileiras que fazem parte do Pacto Global da ONU avançaram em clima, diversidade e governança em 2025, mas ainda travam quando o assunto é a cadeia de fornecedores.

É o que mostra o balanço do Relatório Ambição 2030, divulgado pela organização durante o 4º Fórum Ambição 2030, na terça-feira, 2, no MASP, em São Paulo, quando 450 executivos debateram soluções para acelerar a década decisiva da implementação.

A rede chegou a 389 empresas formalmente comprometidas com a agenda de sustentabilidade corporativa da ONU, uma alta de 11% em relação a 2024, com mais de 2 mil metas públicas declaradas. Já as iniciativas da rede impactam diretamente mais de 2 milhões de trabalhadores no Brasil. Na ocasião, o Pacto Global também apresentou seu novo conselho, com liderança feminina da Aegea e do Itaú.

"O setor privado saiu da fase de intenções e entrou na etapa de consolidação de dados confiáveis e monitoramento contínuo", afirma Guilherme Xavier, diretor executivo do Pacto Global da ONU.

Na agenda ambiental, 82% das empresas já concluem seus inventários de emissões nos Escopos 1, 2 e 3, um indicador considerado referência de maturidade técnica. O Movimento Ambição Net Zero registrou redução acumulada de 87,35 milhões de toneladas de carbono nos últimos quatro anos.

O avanço técnico da rede acontece, no entanto, num momento em que o marco regulatório brasileiro caminha na direção oposta. No último dia 29 de maio, a CVM publicou a Resolução 244, revogando a obrigatoriedade de relatórios financeiros de sustentabilidade para companhias abertas e tornou a adesão voluntária.

O movimento contraria a tendência global: ao longo dos últimos dois anos, mais de dez países avançaram na adoção formal dos padrões IFRS S1 e S2.

++ Leia mais: O que significa o recuo da CVM sobre relatórios de sustentabilidade?

Na frente de biomas, o relatório anuncia a transformação do Movimento Impacto Amazônia em Movimento Impacto Biomas, expandindo o escopo para além da floresta amazônica e incorporando todos os ecossistemas críticos do país.

Na agenda social, os avanços também foram expressivos. O Movimento Elas Lideram 2030 se consolidou como o maior da rede, com 145 empresas signatárias, e superou a meta de 30% de mulheres em cargos de alta liderança — a média chegou a 42%.

O resultado positivo motivou a expansão da meta para 50% até 2030, agora com perspectiva interseccional que incorpora raça, deficiência e orientação sexual.

Já o Movimento Raça é Prioridade encerrou sua primeira fase com média de 23,6% de pessoas negras e indígenas na alta liderança.

Cadeia de fornecedores ainda é o maior gargalo

Os números, porém, encontram um limite claro quando vão da porta para fora da empresa. O engajamento da cadeia de valor foi apontado por 26% das organizações como o maior desafio atual.

No Movimento Transparência 100%, apenas 3% das empresas conseguiram treinar integralmente seus fornecedores em integridade e anticorrupção.

No Movimento Salário Digno, 23% das empresas já garantem remuneração adequada para funcionários próprios. Por outro lado, o impacto sobre terceirizados não é mensurado.

Para Mônica Gregori, diretora de Impacto e Comunicação do Pacto Global da ONU, o momento requer ir além dos compromissos e revela implementação prática.

O relatório também aponta limitações orçamentárias, citadas por 23% das organizações como obstáculo relevante , o que ajuda a explicar por que o avanço interno ainda não se traduziu em transformação sistêmica na cadeia produtiva.

1/10 Museu das Amazônias: espaço de cultura pensado para ser um dos principais legados da COP30. Foca temas como meio ambiente, preservação e mudanças climáticas (Museu das Amazônias: espaço de cultura pensado para ser um dos principais legados da COP30. Foca temas como meio ambiente, preservação e mudanças climáticas)

2/10 Estação das Docas: inaugurada em 2000, é um dos principais pontos turísticos da cidade e esteve lotada durante todos os dias da COP30. Reúne restaurantes e terminal de passageiros (Estação das Docas: inaugurada em 2000, é um dos principais pontos turísticos da cidade e esteve lotada durante todos os dias da COP30. Reúne restaurantes e terminal de passageiros)

3/10 Porto Futuro: área portuária transformada em polo cultural como um dos legados da COP30 (Porto Futuro: área portuária transformada em polo cultural como um dos legados da COP30)

4/10 (Nova Doca: parque linear inaugurado após a revitalização de um trecho de 1,2 quilômetro da Avenida Visconde de Souza Franco. O projeto inclui o tratamento de um dos tantos canais que cortam a cidade)

5/10 Mercado de São Brás: o prédio foi inaugurado em 1911, no auge do ciclo da borracha, e reformado para a COP30 (Mercado de São Brás: o prédio foi inaugurado em 1911, no auge do ciclo da borracha, e reformado para a COP30.)

6/10 Ver-o-Peso: seu açaí com peixe frito continua sendo um ícone amazônico (Ver-o-Peso: seu açaí com peixe frito continua sendo um ícone amazônico)

7/10 Ver-o-Peso: mercado símbolo de Belém, foi parcialmente reformado para a COP30 e foi um dos destinos preferidos dos visitantes durante a conferência (Ver-o-Peso: mercado símbolo de Belém, foi parcialmente reformado para a COP30 e foi um dos destinos preferidos dos visitantes durante a conferência)

8/10 Mercado de São Brás: reúne 80 espaços gastronômicos e é um novo point de paraenses e turistas (Mercado de São Brás: reúne 80 espaços gastronômicos e é um novo point de paraenses e turistas)

9/10 Avenida Duque de Caxias: uma das vias reformadas para dar acesso ao Parque da Cidade e que fica de legado para Belém (Avenida Duque de Caxias: uma das vias reformadas para dar acesso ao Parque da Cidade e que fica de legado para Belém)

10/10 Porto de Outeiro: localizado a 20 quilômetros do centro de Belém, foi reformado para receber grandes navios durante a COP30 e será um hub de turismo para a Amazônia (Porto de Outeiro: localizado a 20 quilômetros do centro de Belém, foi reformado para receber grandes navios durante a COP30 e será um hub de turismo para a Amazônia)

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