'Pagamos US$ 18 milhões em tarifas e queremos reembolso', diz CEO da Taurus
A Taurus, uma das maiores fabricantes globais de armas, foi uma das empresas brasileiras mais atingidas pelas tarifas do presidente Donald Trump. A empresa foi de uma taxa zero a uma cobrança de 50%, o que a fez pagar ao menos US$ 18 milhões ao governo americano, diz Salesio Nuhs, CEO da companhia, à EXAME.
Ele diz que agora, com o retorno da taxa para 10%, a empresa terá melhores condições de competir.
“A gente consegue absorver a taxação de 10%. Quando, em maio, teve uma taxa de 10%, a Taurus reajustou seus preços nos Estados Unidos em 7%. Cabia um aumento de 7% e a gente está praticando até hoje esse aumento, ou seja, a gente minimizou o impacto dos 10%”, diz.
“O que não foi possível absorver foram os 40%. 40% ou 50% não é nem taxa, é embargo comercial. Então, com essa redução para 10%, a vida da Taurus muda completamente com relação à nossa competitividade do mercado americano. A gente provavelmente vai fazer resultados melhores do que os apresentados no segundo semestre do ano passado”, afirma.
Nuhs diz que a empresa também espera reaver os valores pagos.
“Quando a Suprema Corte julgou a taxação de 50%, ela deu competência às instâncias inferiores para regulamentar como esse valor arrecadado a mais seja devolvido para as indústrias. Não tem nada decidido ainda, isso deve demorar alguns dias, meses, ninguém sabe. Não se tem ainda isso bem claro”, afirma.
“Obviamente, a Taurus vai buscar essa devolução, seja normalmente ou por vias judiciais, até porque isso já é uma prática nos Estados Unidos com as taxas que o Trump aumentou e depois reduziu de outros países. Automaticamente, ele reconheceu o crédito em favor desses países. Então, nós entendemos que nós temos direito a esse crédito”, diz.
“Vamos acompanhar qual vai ser a decisão das instâncias inferiores. A gente acha que as próprias instâncias inferiores já vão determinar como devolver esse dinheiro, porque já existe reconhecimento de que esse dinheiro foi cobrado indevidamente, pois a taxa foi considerada indevida pela Suprema Corte”, afirma.
Fábrica da Taurus: EUA é um dos principais mercados da empresa (Ricardo Jaeger/Exame)
Encontro Lula e Trump
O CEO diz que o cenário segue incerto para os próximos meses e defende que o presidente Lula trate da indústria de defesa em sua próxima reunião com Trump, prevista para março.
“A gente está aqui no Brasil fazendo gestão no governo para que nesse encontro do Trump e do presidente brasileiro para o mês de março, que esse tema da indústria de defesa seja colocado em pauta também, que é o caso da Taurus. Nós somos uma indústria estratégica de defesa, de interesse do governo brasileiro”, diz Nuhs.
“Com relação ao que o Trump pode fazer, isso é quase impossível de prever. A companhia tem um histórico de cautela muito grande e de reação muito rápida. A gente está preparado evidentemente para qualquer decisão ou ação do presidente Trump”, afirma.
Para reduzir o impacto das tarifas, a empresa levou para os EUA a produção das pistolas da categoria G. Agora, elas são montadas lá a partir de kits feitos no Brasil, na fábrica da empresa na Geórgia. Outras linhas de revólveres também seguirão a mesma estratégia. Os produtos destinados ao mercado brasileiro seguirão sendo feitos aqui.
Vendas em queda nos EUA
A Taurus teve faturamento líquido de R$ 1,071 bilhão nos nove primeiros meses de 2025, uma queda de 12% em relação ao mesmo período de 2024. Apesar da queda, a empresa manteve sua rentabilidade em 34,1%, com Ebtida de 9,1%.
A empresa tem, nos Estados Unidos, seu principal mercado no exterior. Nos primeiros nove meses do ano, foram vendidas 605 mil armas no país. Em 2024, no mesmo período, foram 752 mil. A queda na demanda vem desde 2021, quando houve a venda de 1,4 milhão de unidades, segundo dados da companhia.
Entre as razões para a queda na venda de armas, segundo a Taurus, estão fatores econômicos como a inflação, juros elevados e o aumento do custo de vida, que reduziram o poder de compra de consumidores médios, impactando a demanda na faixa de entrada do mercado de armas.
Além disso, a empresa avalia que a percepção de que não há risco iminente de restrições legais à posse de armas fez com que os consumidores deixassem de antecipar compras por precaução, adiando decisões de compra.
Para diversificar mercados, a Taurus fez um memorando de entendimento com a fabricante turca Mertsav, e apresentou uma proposta de aquisição de participação na empresa. Além disso, no ano passado, venceu uma licitação para vender 7,5 mil armas para a África. A empresa mapeou concorrências internacionais com potencial de venda de 70 mil unidades até meados de 2026 em vários países, com destaque para a Índia.
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