Pai morto, irmão desaparecido e casa destruída: a jornada de Aymen Hussein até a Copa do Mundo

Por Maria Luiza Pereira 16 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Pai morto, irmão desaparecido e casa destruída: a jornada de Aymen Hussein até a Copa do Mundo

A estreia do Iraque nesta terça-feira, 16, contra a Noruega de Erling Haaland, na Copa do Mundo de 2026, marca também a realização de um sonho improvável para Aymen Hussein.

Principal referência da seleção, o atacante chega ao torneio carregando uma história de perdas, violência e resistência que começou muito antes dos gramados.

Aos 30 anos, Hussein é um dos símbolos da volta do Iraque ao maior palco do futebol mundial. Mas sua trajetória foi profundamente impactada pelos conflitos que marcaram o país nas últimas décadas.

Vida marcada por tragédias

Em 2008, quando ainda era adolescente, Aymen Hussein perdeu o pai, morto pela Al-Qaeda. O episódio mudou completamente a vida da família e deixou marcas que o jogador carrega até hoje.

Anos depois, em 2014, a dor voltou a atingir a família. Seu irmão foi sequestrado pelo Estado Islâmico e nunca mais foi encontrado. O desaparecimento se tornou mais um capítulo de sofrimento em meio à instabilidade vivida pelo Iraque.

Como se não bastasse, a residência da família em Kirkuk também foi destruída durante o período de conflitos. A sequência de tragédias obrigou Hussein a crescer em um ambiente marcado pela insegurança e pela guerra.

O futebol como refúgio

Em meio ao caos, o futebol se transformou em uma das poucas fontes de esperança. Hussein encontrou no esporte uma forma de seguir em frente e construir um futuro diferente daquele que parecia reservado a milhares de jovens iraquianos.

Aymen Hussein entrou de vez para a história do futebol iraquiano ao marcar o gol da vitória por 2 a 1 sobre a Bolívia, na repescagem intercontinental, no dia 1º de abril de 2026. O resultado garantiu a volta do Iraque à Copa do Mundo após quatro décadas. Até então, a única participação do país havia sido no Mundial do México, em 1986.

A classificação representou a concretização de um sonho antigo do atacante. Em 2017, para uma emissora local, Hussein afirmou que seu maior objetivo na carreira era levar o Iraque de volta a uma Copa do Mundo.

Mural no Iraque com o meio-campista Ibrahim Bayesh, à direita, ao lado de Aymen Hussein (Photo by AHMAD AL-RUBAYE / AFP) (AHMAD AL-RUBAYE/AFP)

Dono da camisa 18 da seleção, o centroavante acumula números expressivos com a equipe nacional: são 32 gols em 90 partidas disputadas, se tornando uma das principais referências ofensivas da geração atual.

O bom momento também se estende no futebol de clubes. Pelo Al-Karma, sexto colocado do Campeonato Iraquiano, o atacante marcou nove gols em 18 partidas durante a temporada 2025/26.

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A jornada na Copa do Mundo de 2026

Agora, a história ganha um novo capítulo. Convocado para liderar o Iraque na Copa do Mundo de 2026, Aymen Hussein chega ao torneio como uma das figuras mais emblemáticas da competição.

Antes mesmo de entrar em campo na Copa do Mundo, Aymen Hussein enfrentou um contratempo fora das quatro linhas. O atacante foi submetido a um interrogatório de aproximadamente sete horas ao chegar aos Estados Unidos.

Segundo a agência de notícias Shafaq News, o jogador foi abordado por agentes de imigração no aeroporto de Chicago. Após passar por processos de checagem e confirmação de dados, ele recebeu autorização para entrar no país.

Sua presença no Mundial vai além do aspecto esportivo. Ela representa a capacidade de resistir diante das adversidades e transformar uma trajetória marcada pela dor em inspiração para um país inteiro.

Além do primeiro jogo, contra a Noruega, nesta terça-feira, 16, às 19h (horário de Brasília), os iraquianos vão enfrentar a França na próxima segunda-feira, 22, às 18h (horário de Brasília) e finalizam a fase de grupos contra o Senegal, na sexta-feira, 26, às 16h.

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