Pancreatite: quais canetas emagrecedoras foram citadas pela Anvisa?

Por Maria Eduarda Lameza 10 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Pancreatite: quais canetas emagrecedoras foram citadas pela Anvisa?

O Brasil registrou seis mortes suspeitas e 225 casos suspeitos de pancreatite associados ao uso de canetas emagrecedoras desde 2018, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As informações constam no VigiMed, sistema oficial de notificação de eventos adversos da agência, e em registros de pesquisas clínicas realizadas no país.

As notificações envolvem medicamentos da classe GLP-1, utilizados no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, como semaglutida, liraglutida, lixisenatida, tirzepatida e dulaglutida.

Os registros envolvem pacientes dos estados de São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal.

Quais canetas emagrecedoras foram citadas?

De acordo com o VigiMed, algumas das principais marcas de canetas emagrecedoras podem estar relacionas a essas mortes por pancreatite:

A Anvisa informou que todos os casos estão em investigação e que não é possível afirmar que as ocorrências estejam diretamente relacionadas às marcas citadas. Segundo a agência, há registros de uso de canetas falsas, irregulares ou manipuladas, apresentadas como similares aos produtos originais.

Esse fator dificulta a análise da origem dos eventos adversos e reforça a preocupação das autoridades sanitárias com o uso de medicamentos fora do circuito regular.

O número também  pode estar subnotificado, já que a comunicação desses eventos à Anvisa não é obrigatória para médicos e hospitais.

A própria Anvisa reforça que ainda não há confirmação de que os casos tenham sido causados diretamente pelos medicamentos, já que muitos pacientes tratados pertencem a grupos com maior risco de pancreatite, como pessoas com diabetes e obesidade. O risco de pancreatite aguda já consta na bula desses medicamentos.

Alerta internacional

O Reino Unido também emitiu um alerta sobre casos de pancreatite grave associados ao uso de medicamentos para obesidade e diabetes, como Wegovy, da Novo Nordisk, e Mounjaro, da Eli Lilly.

Entre 2007 e outubro de 2025, a MHRA recebeu quase 1,3 mil notificações de pancreatite associadas a esses medicamentos. Os registros incluem 19 mortes e 24 casos de pancreatite necrosante, condição em que ocorre morte do tecido pancreático.

A agência orientou que pacientes procurem um médico caso apresentem dor abdominal intensa e persistente, com possível irradiação para as costas, além de náuseas e vômitos.

O que dizem as farmacêuticas?

A Novo Nordisk informou que os medicamentos devem ser utilizados apenas com supervisão médica, com orientação sobre possíveis efeitos colaterais, e declarou que o perfil de benefício-risco dos tratamentos à base de GLP-1 permanece positivo.

Já a Eli Lilly afirmou que a inflamação do pâncreas pode afetar até 1 em cada 100 pacientes e recomendou que pessoas com histórico de pancreatite conversem com um médico antes de usar o Mounjaro. A empresa declarou ainda que acompanha relatos de segurança e atua junto a médicos para garantir informações adequadas aos pacientes.

*Com informações da agência O Globo

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: