Para Dudu Netto, da BodyTech, setor fitness tem avenida de crescimento para além do preço baixo
A abertura de novas unidades da Bodytech em Uberlândia, que abriu no início de março, e Manaus, prevista para abril, ajuda a iluminar uma mudança mais ampla no setor de academias brasileiro.
Depois de uma década em que o crescimento foi liderado por redes de baixo custo e grande escala, parte do mercado agora tenta avançar em outra direção: cidades médias, serviços mais completos e modalidades que transformem a academia em plataforma de saúde, convivência e experiência.
A escolha das duas praças não parece casual. Uberlândia, no Triângulo Mineiro, combina expansão imobiliária, renda e consumo de serviços. Manaus, por sua vez, recebe uma unidade com cara de clube: tem quadra de pickleball, esporte de raquete que mistura elementos de tênis e badminton.
Nos dois casos, a expansão tenta a tese de que o produto premium ainda pode se diferenciar e onde o aluno procura algo além da musculação tradicional.
É essa leitura que Eduardo Netto, diretor técnico da Bodytech, faz do momento do setor. Segundo ele, o mercado passou por uma primeira fase baseada em equipamento e instalação, depois por uma etapa de democratização via low cost, o baixo custo, e agora entra numa terceira onda, mais associada à experiência.
Eduardo Netto: diretor técnico da Bodytech (Reprodução)
A academia deixa de vender apenas estrutura e passa a disputar o aluno por pertencimento, aulas coletivas, longevidade e saúde mental. "Há uma avenida de crescimento nessa área", afirma.
A fala ajuda a organizar o que já aparecia em dados compilados por EXAME na edição de capa de março. O Brasil tem hoje mais de 62 mil academias, ante pouco mais de 22 mil em 2015, e a projeção é chegar a 70 mil em 2027.
Por isso, a Bodytech, com 90 unidades, olha para a expansão geográfica por meio de superunidades com natação, luta, espaço para crianças e práticas de bem-estar, que ajudam o franqueado a se destacar em regiões já ocupadas por grandes redes. Uma tentativa clara de fugir da comoditização.
Para onde o setor ainda pode crescer
O dados mais recentes mostram que 80% da geração Z enxergam o exercício como forma de expressão pessoal, e 72% já combinam academia física com treino em casa ou digital. A academia passou a competir não apenas com outras academias, mas também com corrida, aplicativos, assessorias esportivas e outras formas de pertencimento físico.
Isso obriga o setor a sofisticar a proposta. Se a Smart Fit segue dominante na lógica de escala, preço e ocupação, outras redes tentam capturar a parte do mercado que busca experiência e conveniência. O próprio grupo de Edgard Corona avançou sobre esse terreno com a frente de estúdios, que hoje soma 280 salas e quer chegar a 500 unidades nos próximos anos. O movimento indica que até os operadores mais bem-sucedidos na massificação entenderam que a próxima fase do fitness passa por diversificação de formatos.
Há ainda um vetor demográfico importante nessa equação. Parte do avanço do setor veio do pós-pandemia, quando saúde e longevidade ganharam espaço fixo na agenda do consumo. Nesse contexto, redes premium enxergam espaço para públicos que exigem mais acompanhamento, ambiente mais confortável e oferta mais ampla de modalidades. A academia, nesse modelo, deixa de ser só local de treino e passa a vender permanência, cuidado e estilo de vida.
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