Para Sérgio Sacani, a continuidade do que estamos vivendo com IA está na Lua

Por André Lopes 2 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Para Sérgio Sacani, a continuidade do que estamos vivendo com IA está na Lua

“A continuidade do que estamos vivendo está na Lua”, afirmou Sérgio Sacani durante sua participação no AI Summit, evento promovido pela EXAME nesta terça-feira, 2.

O geofísico e criador do canal Space Today defendeu que o crescimento acelerado da inteligência artificial (IA) pode transformar a disponibilidade de energia em um dos principais desafios tecnológicos das próximas décadas.

Segundo Sacani, a expansão dos modelos de IA exige volumes cada vez maiores de processamento computacional, elevando o consumo energético de centros de dados em todo o mundo.

Na avaliação dele, o debate sobre a exploração da Lua vai além do interesse científico e geopolítico tradicional.

“Hoje já é um consenso que não vai ter energia suficiente para o planeta”, disse. Para Sacani, é impossível não relacionar a corrida lunar às necessidades de novas fontes energéticas para sustentar a evolução da IA.

Durante a apresentação, Sacani citou uma declaração atribuída ao presidente chinês Xi Jinping em 2019, segundo a qual “a salvação da Terra está na Lua”.

Para o geofísico, o satélite natural passou a ocupar posição estratégica em discussões sobre infraestrutura energética e capacidade computacional de longo prazo.

Ao longo da palestra, o comunicador também traçou uma linha do tempo da evolução da inteligência artificial, destacando marcos históricos que antecedem a popularização dos sistemas generativos.

Sacani lembrou que as bases conceituais da área remontam aos trabalhos de Warren McCulloch e Walter Pitts, em 1943, e destacou a influência de Alan Turing, matemático britânico considerado um dos pioneiros da computação moderna.

O palestrante ressaltou que o termo “inteligência artificial” foi criado em 1956, durante a conferência de Dartmouth, encontro que reuniu pesquisadores que ajudaram a fundar o campo de estudos da IA.

Ele também citou a vitória do computador Deep Blue, da IBM, sobre o enxadrista Garry Kasparov em 1997 e apontou os avanços das redes neurais profundas como o principal fator por trás da atual revolução tecnológica.

De Turing ao ChatGPT

Na avaliação de Sacani, um dos personagens centrais dessa trajetória é Geoffrey Hinton, pesquisador conhecido por suas contribuições ao desenvolvimento do aprendizado profundo, ou deep learning, técnica que está na base dos grandes modelos de linguagem utilizados atualmente.

O geofísico destacou ainda o lançamento do GPT-1 em 2018 e a chegada do ChatGPT ao mercado em 2022 como momentos que aceleraram a adoção da IA pelo público geral.

Segundo ele, a velocidade das transformações tornou obsoletas análises feitas poucos meses antes. “O que for falado aqui hoje, daqui a dois meses pode estar ultrapassado”, afirmou.

A fala ocorreu durante um painel dedicado aos impactos da inteligência artificial na economia e na sociedade. Ao conectar o avanço dos modelos de IA à demanda por energia, Sacani argumentou que a discussão sobre computação, exploração espacial e infraestrutura energética tende a se tornar cada vez mais integrada nos próximos anos.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: