Paraguai quer atrair produtores de carne que vendem para a Europa, diz ministro
Com o acordo entre a União Europeia e Mercosul, em vigor desde 1º de maio, o Paraguai espera atrair mais empresas produtoras de carne, que poderão exportar para a Europa com taxas reduzidas.
"O acordo permite uma redução tarifária de 93% sobre os produtos ao longo de 10 anos. Hoje, a União Europeia, em termos de proteína, está impondo requisitos tão rigorosos que estão causando uma queda cada vez maior na produção de proteína nesses países", disse Marco Riquelme, ministro de Indústria e Comércio do Paraguai, em entrevista à EXAME.
"No Paraguai, vemos isso como uma oportunidade de atrair empresas europeias para fabricar alguns produtos em nosso país, a custos mais baixos, e retomar a exportação de produtos acabados", prossegue.
"Depende realmente de nós, como o Paraguai e todo o Mercosul, nos prepararmos para atender a esse mercado da UE, que não só exige produtos de qualidade, mas também produtos com certificações", afirma.
Marco Riquelme, ministro de Indústria e Comércio do Paraguai (Divulgação)
Riquelme diz que, muitas vezes, estas certificações aumentam os custos de produção, o que está dificultando a produção de carne na Europa.
"Para proteína animal, temos que incorporar critérios de rastreabilidade, de desmatamento dentro dessa rastreabilidade, de trabalho infantil, de terras indígenas e assim por diante", afirma.
Como exemplo, ele cita uma regra espanhola segundo a qual, se a temperatura superar 38°C, os porcos não podem ser levados ao abate.
"Na Espanha, durante o verão, a temperatura chega a 38ºC praticamente todos os dias, o que gera custos adicionais com o transporte dos porcos à noite e, consequentemente, custos significativos. Por isso, algumas empresas estão optando por fechar as portas e, graças à União Europeia, estão escolhendo o Mercosul para exportar o produto final", afirmou.
Conexão com a Ásia
Riquelme disse que o Paraguai também busca atrair investimentos asiáticos por meio do acordo UE-Mercosul.
"Atualmente, a exportação da Ásia para a Europa incorre em tarifas, mas com este acordo, se elas [empresas] desenvolverem sua capacidade industrial no Paraguai e exportarem para a Europa utilizando essa capacidade, essas tarifas deixariam de existir", disse.
Além de proteínas, ele vê espaço para negócios em áreas como insumos agrícolas e serviços de call center, back-office financeiro, marketing e design. "Vemos tudo isso como algo interessante a desenvolver para a União Europeia", afirma.
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