Paraná tem dois casos confirmados de hantavírus; veja o que se sabe

Por Maria Eduarda Lameza 10 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Paraná tem dois casos confirmados de hantavírus; veja o que se sabe

A Secretaria de Saúde do Paraná confirmou nesta sexta-feira, 8, dois casos de hantavírus no estado em 2026. Um dos pacientes é da cidade de Pérola d'Oeste, na fronteira com a Argentina, e outro de Ponta Grossa, município próximo à Curitiba. Segundo a secretaria, outros 21 casos foram descartados e 11 seguem em investigação.

Não foram divulgadas informações sobre o estado de saúde dos pacientes contaminados. A secretaria afirmou que os testes estão sendo feitos em laboratórios da Fiocruz.

O secretário de Saúde do Paraná, César Neves, disse que a situação está sob controle. "A hantavirose é uma doença monitorada rigorosamente pela Divisão de Vigilância de Zoonoses e Intoxicações. Estamos acompanhando de perto e garantimos que os profissionais de saúde estão capacitados para identificar e tratar com rapidez qualquer suspeita da doença", afirmou.

"Esse ano tivemos apenas dois casos e nenhum óbito. Devemos tomar precauções, mas quero tranquilizar a população que não temos ainda nenhum motivo para pânico ou uma preocupação mais exacerbada", disse o secretário.

A orientação é para que a população evite o contato com roedores silvestres, principalmente em zonas rurais.

"As medidas de prevenção incluem roçar o terreno em volta das residências, dar destino adequado a entulhos, manter alimentos estocados em recipientes fechados, usar equipamentos de proteção, como luvas e calçados fechados, e fazer apenas limpeza úmida de anexos peridomiciliares como galpões, silos e paióis como forma a evitar a contaminação pelos aerossóis" disse a secretaria em comunicado à imprensa.

OMS descarta risco de epidemia

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou cinco casos de hantavírus na última quinta-feira, 7, relacionados a um surto registrado no cruzeiro MV Hondius. Outros três casos seguem sob suspeita. Ao todo, três pessoas morreram.

Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a embarcação navega atualmente de Cabo Verde em direção às Ilhas Canárias, na Espanha. “Até hoje, foram sinalizados oito casos, incluindo três óbitos. Cinco desses oito casos foram confirmados como causados pelo hantavírus, e os outros três são suspeitos”, afirmou Tedros, em Genebra.

O navio, de bandeira holandesa, partiu do Ushuaia, no sul da Argentina, em 1º de abril. A embarcação realizou um cruzeiro pelo Atlântico até Cabo Verde e deixou o local na última quarta-feira, 6, com destino à ilha espanhola de Tenerife.

A diretora de prevenção e preparação para epidemias e pandemias da OMS, Maria Van Kerkhove, declarou que a situação “não representa o início de uma epidemia”.

Casos no Paraná tem relação com o navio?

Em nota à EXAME, a Secretária de Saúde do Estado do Paraná informou que os casos de hantavírus confirmados no Paraná em 2026 não têm relação alguma com o episódio do cruzeiro. Eles foram identificados em Pérola d'Oeste (abril) e Ponta Grossa (fevereiro).

"Não há registro da circulação do vírus Andes no Paraná, que tem transmissão viral, de pessoa para pessoa, como os casos confirmados pela OMS. Os casos identificados no estado são da cepa silvestre, transmitida por meio de animais silvestres", afirmou a secretária.

O que é o hantavírus?

O hantavírus é um grupo de vírus transmitidos principalmente por roedores selvagens infectados, como ratos e camundongos, que eliminam o vírus por meio de saliva, urina e fezes. A infecção humana pode ocorrer ao inalar partículas contaminadas, ao entrar em contato com esses animais ou, em casos raros, por mordidas.

O vírus recebeu esse nome a partir do rio Hantan, na Coreia do Sul, onde foi identificado durante a Guerra da Coreia.

Os primeiros sintomas costumam se assemelhar aos de uma gripe, com febre, dor de cabeça e dores musculares. Em alguns casos, há relatos de sintomas gastrointestinais, como os observados nos passageiros do navio.

Com a progressão, a doença pode evoluir para quadros mais graves, incluindo dificuldade respiratória, comprometimento cardíaco ou disfunção renal, dependendo da variante do vírus.

O diagnóstico é feito por exames laboratoriais que identificam anticorpos específicos. Não há vacina nem tratamento antiviral específico para o hantavírus, o atendimento médico é baseado no cuidado dos sintomas da doença.

Saiba tudo sobre o hantavírus

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