Passagens de ônibus subiram mais de 60% em quase 10 anos

Por Rebecca Crepaldi 14 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Passagens de ônibus subiram mais de 60% em quase 10 anos

As passagens de ônibus no Brasil acumularam alta de 60,5% entre dezembro de 2017 e abril de 2026, segundo o Índice Rodoviário ClickBus (IRCB), desenvolvido pela ClickBus em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O indicador foi lançado nesta quinta-feira, 14, e é o primeiro a acompanhar a evolução dos preços das passagens de ônibus no Brasil.

No mesmo período, o diesel — principal insumo operacional do setor — disparou 119,4%, praticamente o dobro da variação das tarifas rodoviárias. Os dados indicam que o setor absorveu parte relevante das pressões de custo ao longo dos últimos anos sem repassá-las integralmente aos passageiros.

Mas, com a Guerra no Irã, o cenário para o combustível está incerto e pode afetar o preço das passagens rodoviárias. “Se tiver um aumento de tarifa, vai estar muito muito bem explicado o porquê”, afirmou o executivo em coletiva para apresentação do novo índice.

Na comparação com outros indicadores da economia, o transporte rodoviário também apresentou comportamento relativamente mais moderado. Desde dezembro de 2017:

“Passagens rodoviárias estão para o viajante como a renda fixa está para o investidor, estável e confiável. Já passagens aéreas estão para o viajante como a bolsa está para o investidor, em um ano complicado”, comentou Klien. Entretanto, o executivo disse que ambos se complementam. “As pessoas vão de ônibus e voltam de avião, por exemplo.”

Comparação com renda, região e distância

Outro achado da pesquisa é que, desde dezembro de 2017 até abril de 2026, a renda média do trabalho (PNAD Contínua/IBGE) avançou 77,6% (frente aos 60,5% das passagens rodoviárias), o que indica melhora do poder de compra relativo dos brasileiros no acesso ao transporte rodoviário.

No recorte por categoria de serviço, as viagens intermunicipais registraram avanço mais intenso, de 67,5%. Já o segmento interestadual teve aumento mais moderado, de 42,7%. Os dados indicam que os trajetos dentro dos estados sofreram pressões maiores de custos e demanda ao longo do período.

Ao olhar o tipo de abrangência, o levantamento aponta comportamentos distintos conforme a categoria de conforto das viagens. As passagens convencionais acumularam a maior alta, de 65,3% desde 2017, enquanto as executivas subiram 63,7%. Já as categorias semileito e leito tiveram reajustes mais contidos, de 43% e 43,2%, respectivamente. A categoria cama apresentou avanço de 60,3%, praticamente em linha com a média nacional.

O recorte por distância de viagem revela que os trajetos curtos foram os que mais encareceram no período analisado. As viagens de curta distância acumularam alta de 72,5%, acima da média nacional. As categorias média-curta, média e média-longa registraram aumentos de 64,2%, 69,7% e 67,3%. Já as viagens longas tiveram reajuste mais moderado, de 49,2%, indicando que os aumentos foram menos intensos nos deslocamentos de maior duração.

Por região, o Nordeste foi o local com maior avanço acumulado nos preços das passagens rodoviárias desde dezembro de 2017, com alta de 66,1%, seguido pelo Sudeste, com 64,3%, e Norte, com 61,5%. O Sul registrou aumento de 48,6%, enquanto o Centro-Oeste teve a menor variação entre as regiões, de 43,3%.

O índice foi construído a partir de mais de 100 milhões de passagens rodoviárias analisadas, permitindo monitorar de forma recorrente o comportamento tarifário do setor em diferentes regiões, categorias de serviço e perfis de viagem.

Segundo as empresas, o objetivo do IRCB é ampliar a transparência sobre os custos do transporte rodoviário no país e oferecer uma referência para consumidores, empresas, investidores e formuladores de políticas públicas.

Diferentemente de comparações pontuais de preços, o indicador foi desenvolvido para medir a variação média das tarifas ao longo do tempo, utilizando metodologia econômica aplicada e controles estatísticos que consideram fatores como origem, destino, categoria da passagem e distância percorrida.

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