Payroll, inflação no Brasil e balanços da Embraer e Gol: o que move os mercados
Os mercados globais entram nesta sexta-feira, 8, com atenções voltadas aos Estados Unidos, onde a divulgação do payroll de abril deve ditar o tom dos ativos ao redor do mundo.
O relatório de emprego norte-americano será decisivo para calibrar as expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed), em um momento em que investidores tentam entender até que ponto a economia dos EUA começa a desacelerar sem reacender pressões inflacionárias.
Mercado de trabalho nos EUA
O destaque do dia nos Estados Unidos é a divulgação do payroll de abril às 9h30. Ele é o principal indicador do mercado de trabalho norte-americano e peça-chave para calibrar as apostas sobre os próximos passos do Fed.
A expectativa é de forte desaceleração na criação de vagas: o payroll não-agrícola deve mostrar abertura de 65 mil postos, abaixo dos 178 mil registrados anteriormente. O payroll privado também deve perder força, com projeção de 73 mil vagas, ante 186 mil no dado anterior. A taxa de desemprego, por sua vez, deve permanecer estável em 4,3%.
Além da criação de vagas, investidores acompanham os dados salariais. O ganho médio por hora deve subir 0,3% no mês, acima dos 0,2% registrados na leitura anterior, enquanto a alta anual dos salários é projetada em 3,8%, ante 3,5% anteriormente — indicador importante para medir possíveis pressões inflacionárias vindas do mercado de trabalho.
A bateria de dados também inclui o payroll do governo, que na última leitura mostrou fechamento de 8 mil vagas, e o payroll da manufatura, cuja projeção aponta desaceleração para 5 mil postos em abril, após criação de 15 mil vagas no mês anterior.
Ainda nos Estados Unidos, às 11h, serão divulgados os índices de confiança da Universidade de Michigan.
A leitura preliminar da confiança do consumidor ficou em 48,1, enquanto o índice de percepção do consumidor tem projeção de 49,7, praticamente estável em relação aos 49,8 anteriores. O mercado também acompanha as expectativas de inflação de cinco anos, cuja última leitura marcou 3,5%.
Na agenda norte-americana também aparecem os estoques no atacado de março, com expectativa de alta de 1,4%, e as vendas no atacado, cuja última leitura marcou 2,7%.
Já o GDPNow, indicador do Fed de Atlanta que monitora a atividade econômica em tempo real, deve permanecer em 3,7% para o segundo trimestre.
Ao longo do dia, investidores também acompanham uma série de discursos de dirigentes do Federal Reserve, que podem oferecer novos sinais sobre os próximos passos da política monetária americana. A agenda começa às 6h45, com fala de Lisa Cook.
Às 8h30, será a vez de Michelle Bowman. No período da noite, às 20h30, discursam simultaneamente Mary Daly, Christopher Waller, Austan Goolsbee e novamente Michelle Bowman. As declarações ganham peso em um momento de forte sensibilidade do mercado aos dados econômicos e às perspectivas para os juros nos Estados Unidos.
Índice Geral de Preços é destaque no Brasil
A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulga às 8h o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de abril.
O indicador acompanha a variação de preços em diferentes etapas da economia — desde matérias-primas e produtos industriais até bens e serviços ao consumidor — e funciona como uma das principais referências de inflação no atacado. Em março, o índice registrou alta de 1,14%.
Às 10h, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulga os dados de produção de veículos referentes a abril. Na última leitura, em março, a produção avançou 27,6%, refletindo a recuperação da atividade industrial e da demanda no setor automotivo.
Também às 10h, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anuncia os dados de vendas de veículos no país referentes a abril. Na leitura anterior, as vendas cresceram 45,5% em março. Os números são acompanhados pelo mercado como um termômetro relevante do consumo doméstico.
Foco na Alemanha e no Reino Unido
Na Europa, a agenda começa às 3h, com uma bateria de indicadores da Alemanha e do Reino Unido. Na maior economia da Zona do Euro, o mercado acompanha a balança comercial de março, cuja projeção é de superávit de 17,8 bilhões de euros, abaixo dos 19,8 bilhões registrados anteriormente.
No mesmo horário, serão divulgados os dados de importações e exportações alemãs. As exportações devem recuar 1,9% em março, após avanço de 3,6% na leitura anterior, enquanto as importações haviam registrado alta de 4,7%.
Já a produção industrial da Alemanha deve avançar 0,4% no mês, após retração de 0,3% anteriormente. Na comparação anual, a última leitura marcou 0,0%.
No Reino Unido, também às 3h, saem os índices de preços de imóveis Halifax. A projeção mensal para abril aponta estabilidade, após queda de 0,5% na leitura anterior. Já o indicador anual registrou anteriormente avanço de 0,8%.
Ao longo do dia, investidores acompanham ainda discursos de autoridades monetárias europeias. Às 4h, fala a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde.
Às 4h05, será a vez do vice-presidente do BCE, Luis de Guindos. Mais tarde, às 13h00, discursará Isabel Schnabel, integrante do BCE, seguida às 13h15 por Joachim Nagel, presidente do Bundesbank, o banco central da Alemanha.
Balanços corporativos do dia
A agenda corporativa traz a divulgação de balanços relevantes no Brasil e no exterior, com destaque para companhias dos setores industrial, automotivo, financeiro e de infraestrutura.
No mercado brasileiro, a Embraer anuncia seus resultados antes da abertura do mercado. Após o fechamento do pregão, será a vez da Fertilizantes Heringer apresentar seus números trimestrais.
A Gol Linhas Aéreas, controlada pelo Grupo Abra, também deve divulgar balanço ao longo do dia, sem horário confirmado.
No exterior, o destaque fica com a Toyota Motor Corporation, que publica seus resultados do quarto trimestre fiscal antes da abertura dos mercados, com expectativa de lucro por ação de US$ 2,69.
Também antes do pregão, divulgam resultados a canadense Enbridge, a japonesa Sony Group, o banco italiano Intesa Sanpaolo e a canadense Brookfield Asset Management, uma das maiores gestoras globais de ativos alternativos.
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