Paz na Guerra das canetas: Novo desiste de processar fabricante de genérico do Wegovy

Por Caroline Oliveira 10 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Paz na Guerra das canetas: Novo desiste de processar fabricante de genérico do Wegovy

A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, responsável pelos medicamentos Ozempic e Wegovy, desistiu do processo judicial que movia contra a empresa de telemedicina Hims & Hers Health por suposta violação de patente. A decisão foi tomada após as duas companhias firmarem um acordo que permitirá à Hims comercializar os medicamentos originais da Novo Nordisk em sua plataforma digital.

“Decidimos encerrar o processo judicial em curso e, claro, reservamo-nos o direito de retomá-lo se necessário, mas não prevejo que isso aconteça”, disse o CEO da Novo Nordisk, Mike Doustdar, em entrevista à CNBC, nesta segunda-feira, 9.

Pelo acordo firmado, a Hims oferecerá acesso à semaglutida injetável e oral, comercializada sob os nomes Ozempic e Wegovy, ao mesmo preço que outras plataformas de telemedicina, além de deixar de anunciar medicamentos manipulados à base de GLP-1 em sua plataforma e em seus canais de marketing.

A reação do mercado foi imediata. Por volta das 15h10 (horário de Brasília), as ações da Hims & Hers subiam mais de 40%, enquanto os papéis da Novo Nordisk em Copenhague subiram 2,66% hoje. O acordo ocorre após a Novo sofrer uma queda expressiva em suas ações no mês passado.

Também em fevereiro, a Novo anunciou que processaria a Hims por “manipulação ilegal em massa”, após a empresa de telemedicina afirmar que venderia uma versão genérica da pílula Wegovy por US$ 49, cerca de US$ 100 a menos do que o preço cobrado pela farmacêutica em sua plataforma de venda direta ao consumidor, a NovoCare.

Após a reação negativa da Novo Nordisk e da Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA), a Hims & Hers Health retirou rapidamente o comprimido do mercado. A FDA chegou a prometer “medidas decisivas” para restringir as práticas das farmácias de manipulação e encaminhou o caso da Hims ao Departamento de Justiça norte-americano por possíveis violações da legislação federal.

O comissário da FDA, Marty Makary, afirmou estar satisfeito com a decisão da Hims em parar de anunciar medicamentos manipulados que não foram aprovados pela agência, focando suas vendas em produtos já autorizados pela FDA.

“É importante ressaltar que eles manterão os preços acessíveis, sem aumentos, e limitarão os GLP-1 manipulados a casos raros, em conformidade com a FDA”, escreveu Makary em uma publicação na rede social X.

Embora a semaglutida — princípio ativo presente em Ozempic e Wegovy — tenha enfrentado problemas de oferta no início de sua popularização, a Novo ampliou a produção e normalizou o abastecimento. Ainda assim, a Hims continuou a vender versões genéricas do medicamento, argumentando que suas formulações eram “personalizadas” e, portanto, legais.

A patente da semaglutida nos Estados Unidos está protegida até 2032. No ano passado, a Novo e a Hims chegaram a firmar uma parceria para oferecer injeções para perda de peso com desconto aos clientes da plataforma de telemedicina. A farmacêutica, porém, encerrou a colaboração apenas dois meses depois, alegando que a Hims utilizou estratégias de marketing “enganosas” que poderiam colocar pacientes em risco.

“É uma situação muito diferente da última vez que fizemos isso”, disse Doustdar à CNBC. Segundo o executivo, a Hims concordou que, ao distribuir os medicamentos da Novo, não anunciará nem promoverá produtos manipulados para o público em geral. Ele acrescentou que a empresa também aceitou limitar o uso dessas versões a “casos raros” em que elas sejam realmente necessárias.

Em comunicado, a Hims afirmou que pacientes que atualmente utilizam semaglutida manipulada “terão a oportunidade de fazer a transição para medicamentos aprovados pelo FDA quando seus médicos determinarem que isso é clinicamente apropriado”.

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