Pedimos remédio na farmácia Mercado Livre: veja como foi a experiência
O Mercado Livre começou a vender medicamentos em São Paulo na última terça-feira, 31, em um projeto piloto que marca a entrada da empresa no setor farmacêutico no Brasil. A iniciativa ocorre após a aquisição da Farmácia Cuidamos, que pertencia à Memed, concluída no ano passado. Por enquanto, a venda está disponível apenas em parte da capital paulista.
A equipe de reportagem da EXAME, sediada na Rua da Consolação, no centro de São Paulo, experimentou o serviço de entrega de medicamentos do e-commerce. Os pedidos estão disponíveis em uma página específica dentro da plataforma: o Mercado Livre Farma. A companhia, a princípio, informou que as vendas estavam sendo realizadas somente em três bairros da capital: Paraíso, Vila Mariana e Itaim Bibi. Mas a EXAME apurou que está sendo possível comprar medicamentos pelo site e app do Meli no centro expandido de São Paulo.
Num catálogo bastante intuitivo, a oferta, num primeiro momento, está restrita a medicamentos sem prescrição, como analgésicos, antitérmicos, antiácidos, digestivos e vitaminas. A política de frete grátis para produtos a partir de R$ 19,90 não se aplica na farmácia. Para conseguir entrega gratuita, o valor da compra deve ser de, pelo menos, R$ 79,90. Para o nosso medicamento, um relaxante muscular que saiu por por R$ 22,99, foi cobrado R$ 6,99 de frete.
Ao finalizar a compra, a promessa foi de que a mercadoria chegaria até nós em até três horas.
No aplicativo não é possível rastrear a entrega. Pouco menos de meia hora após confirmar que o motorista confirmou o percurso, a mensagem: "Sua compra chegará amanhã entre 15 e 17 hs".
O envio foi reagendado porque o motorista não encontrou o endereço.
A EXAME fica em um edifício comercial e há chances de o entregador não ter encontrado ninguém para deixar a encomenda. Como uma boa parte dos escritórios, já não temos mais telefone fixo e não podemos ser acionados por "ramais". Tudo é pelo celular. Com o rastreio em tempo real, seria possível descer com antecedência e receber o entregador, como já fazemos ao pedir comida em apps de delivery.
O Meli informou ter contratado serviços logísticos especializados para viabilizar as entregas dos medicamentos — a logística utilizada, portanto, não é a mesma do restante do e-commerce.
"As entregas são operacionalizadas por transportadoras homologadas e detentoras das licenças exigidas para a movimentação de medicamentos. A operação logística é conduzida em conformidade com as diretrizes da Anvisa e os marcos regulatórios vigentes, assegurando o controle sobre a procedência, a rastreabilidade e a integridade sanitária dos produtos em todo o trajeto", afirmam.
Às 10h23 da manhã do dia seguinte recebemos uma mensagem pelo WhatsApp avisando que nosso produto já nos aguardava na recepção do prédio. A entrega foi feita por um entregador que nos esperou no térreo, na área comum do edifício, com um pacote plástico amarelo, típico de qualquer outro produto pequeno do Mercado Livre. Dentro, o medicamento estava envolto de plástico bolha.
Relatórios de bancos como Santander e Itaú BBA já vinham monitorando a iniciativa e apontam cautela com a operação neste estágio inicial. Em uma checagem própria, o Santander também identificou que, na prática, os prazos podem ser mais longos do que o divulgado. “Nossa análise rápida da plataforma mostrou apenas entrega no dia seguinte”, afirmou o banco.
A leitura das instituições é que o impacto, por enquanto, é limitado — tanto para o próprio Mercado Livre quanto para as redes tradicionais de farmácias —, já que o projeto ainda está restrito a poucos bairros e a medicamentos sem prescrição. Ainda assim, a entrada no setor é vista como estratégica no médio e longo prazo, principalmente pelo potencial de aumentar a recorrência de compras e o engajamento dos usuários na plataforma.
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