Pessoa física movimentou mais de R$ 1 trilhão em CDBs no ano passado

Por Rebecca Crepaldi 24 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Pessoa física movimentou mais de R$ 1 trilhão em CDBs no ano passado

A renda fixa brilhou o olho do investidor em 2025, é o que mostra o Raio-X da Anbima. Numa taxa de juros de 15%, não era de se esperar menos. Mas dentro da renda fixa há um queridinho: os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs). Esse instrumento lidera o crescimento em todas as regiões.

Na região Sudeste, por exemplo, o volume financeiro cresceu R$ 183,4 bilhões – liderando o ranking. Seguida pela região Sul, com R$ 50,4 bilhões de crescimento. Fundos de renda fixa também registraram crescimento em todas as regiões, assim como isentos e previdência.

Para Luciane Effting, presidente do Fórum de Distribuição da Anbima, a facilidade de investir, visto que é um produto mais simples e de fácil entendimento, é o que justifica esse aumento. “Uma boa parte também tem liquidez diária, então, por exemplo, pode ser usada para reserva de emergência. A dinâmica das caixinhas também democratizou muito o acesso a esse instrumento.”

Observado o panorama, o mercado de capitais registrou um aumento de 15,5% no volume financeiro entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025: de R$ 7,436 trilhões para R$ 8,589 trilhões, sendo que a alta renda é responsável por 36,4% desse volume, enquanto o varejo tradicional fica com a fatia de 32,9% e o private com 30,7%.

FIDCs crescem 122%

No total, os CDBs somaram R$ 1,3 trilhão em 2025, um aumento de 27,7%. Mas quem saiu em disparada na frente foram os Fundos de Direitos Creditórios (FIDCs), que aumentaram seu volume em 122,8%. Entretanto, eles ainda representam uma pequena parcela do universo de mercado de capitais em 2025, em R$ 51,9 bilhões.

Por outro lado, mesmo com o Ibovespa tendo ultrapassado mais do que o dobro da renda fixa em rentabilidade – subindo quase 34% em 2025 – as ações subiram apenas 9,7%. A única região que registrou aumento no volume investido em ações foi a Sudeste: com acréscimo de R$ 80,9 bilhões.

Na mesma linha, os fundos multimercados caíram 1,9% em volume. Mas não é que não tem ninguém investindo neles. O private, cliente de altíssima renda, representa 71,3% dos investimentos em fundos multimercados – superior ao de fundos de ações.

“Tanto os fundos de ações como os fundos multimercados são produtos mais arrojados, e é preciso mais tolerância ao risco que exigem, o que é coerente com o perfil do private, que tem mais capacidade financeira para tolerar a volatilidade desse produto”, diz Effting.

Ao olhar o número de contas, o private cresceu de 162.045 em dezembro de 2024 para 166.841 em dezembro de 2025. Assim como o ticket médio, que subiu de R$ 14.169.915,6 para R$ 15.805.690,9. Mas o movimento não foi igual com a alta renda: o número de contas até subiu, mas o ticket médio caiu de R$ 171.276,3 para 137.342,9.

“No segmento de alta renda, embora o número de contas tenha crescido, esse aumento vem acompanhado da entrada de clientes com valores menores aplicados”, diz a executiva.

Onde o varejo investe?

O varejo tradicional cresceu 10,3%, ou R$ 264 bilhões, em volume financeiro de 2024 para 2025. O número de contas saltou de 165.195.274 para 168.122.934, enquanto o ticket médio foi de R$ 14.353,2 para R$ 14.919,4. Essa classe corresponde a mais de 40% de volume financeiro em todas as regiões, exceto Sudeste.

Apesar de a poupança representar uma fatia menor entre os investimentos -- apenas R$ 961,4 bilhões -- esse instrumento tem como grande parcela o varejo tradicional: 84,7%. Mas, na sequência, aparecem os títulos e valores mobiliários, que somam o maior volume (R$ 4 trilhões), em que 30,1% do varejo tradicional investe. Também mais de 27% da previdência vem do varejo tradicional.

Ao olhar novamente os CDBs, 47,6% do volume investido vem do varejo tradicional. Já ações é apenas 12,7%, enquanto isentos fica com 25,7% e títulos públicos com 31,7%.

"CRI, CRA e debêntures ficaram superaquecidos em 2025, os primeiros meses tendem a ser aquecidos também, mas vai depender da habilidade dos emissores em navegar no cenário de 2026", comenta Effting.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: