Pesticida comum pode elevar em 2,5 vezes o risco de Parkinson, diz estudo

Por Vanessa Loiola 1 de Julho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Pesticida comum pode elevar em 2,5 vezes o risco de Parkinson, diz estudo

Um pesticida amplamente utilizado na agricultura pode estar associado a um aumento significativo do risco de desenvolver doença de Parkinson. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) encontrou uma associação entre a exposição prolongada ao clorpirifós e um risco mais de duas vezes maior da doença, além de identificar mecanismos biológicos que ajudam a explicar como a substância pode afetar o cérebro.

Os resultados foram publicados na revista científica Molecular Neurodegeneration. Além de analisar dados de centenas de pessoas, a pesquisa realizou experimentos em animais para investigar como o pesticida interfere no funcionamento dos neurônios responsáveis pela produção de dopamina, neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos.

O que o estudo descobriu?

Os pesquisadores analisaram informações de 829 pessoas com doença de Parkinson e 824 participantes sem a doença, todos integrantes do estudo Parkinson's Environment and Genes, da UCL. Para estimar a exposição ao clorpirifós, a equipe cruzou registros oficiais de aplicação do pesticida na Califórnia com os endereços residenciais e de trabalho dos participantes ao longo dos anos.

Como o pesticida danifica os neurônios

Para entender o que poderia explicar essa associação, os cientistas realizaram experimentos com camundongos expostos ao clorpirifós por inalação durante 11 semanas, em condições que simulavam a exposição ambiental.

Os animais desenvolveram alterações nos movimentos e apresentaram perda de neurônios dopaminérgicos, o mesmo tipo de célula cerebral que sofre degeneração na doença de Parkinson.

Os pesquisadores também observaram aumento da inflamação cerebral e acúmulo de alfa-sinucleína, proteína que forma agregados anormais característicos da doença e está associada à morte dessas células nervosas.

Pesticida bloqueia o sistema de limpeza do cérebro

Experimentos adicionais com peixes-zebra indicaram que o clorpirifós compromete a autofagia, mecanismo utilizado pelas células para eliminar proteínas danificadas e outros resíduos celulares.

Quando esse sistema de limpeza deixou de funcionar adequadamente, os neurônios ficaram mais vulneráveis aos danos. Já quando os pesquisadores restauraram a autofagia ou impediram o acúmulo de alfa-sinucleína, as células nervosas foram protegidas.

Descoberta pode orientar novas pesquisas

Embora o uso residencial do clorpirifós tenha sido proibido nos Estados Unidos em 2001 e sua aplicação agrícola tenha recebido restrições em 2021, o pesticida ainda é utilizado em diversas culturas agrícolas e permanece em uso em vários países.

Para os pesquisadores, os resultados reforçam a necessidade de investigar outros pesticidas que possam afetar a autofagia de maneira semelhante. A equipe também acredita que terapias capazes de preservar esse sistema natural de limpeza celular poderão ser exploradas futuramente como estratégia para proteger neurônios vulneráveis.

Os autores ressaltam que o estudo fortalece as evidências de que fatores ambientais podem contribuir para o desenvolvimento da doença de Parkinson, embora novas pesquisas ainda sejam necessárias para aprofundar a compreensão dessa relação.

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