Petrobras e bancos voltam a derrubar o Ibovespa; dólar tem leve alta
Na contramão das bolsas globais, o Ibovespa recua no pregão desta sexta-feira, 22. Às 10h40, o principal índice acionário da B3 recuava 0,75%, aos 176.322 pontos. Já o dólar operava com leve alta frente ao real, ao subir 0,18%, cotado a R$ 5,010, no mesmo horário.
O movimento dos ativos brasileiros ocorre em meio a um ambiente de cautela nos mercados internacionais, diante das incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã. Após um pregão de forte volatilidade na véspera, investidores seguem tentando calibrar o quanto há de avanço concreto nas tratativas diplomáticas e o quanto do alívio recente refletiu apenas expectativas do mercado.
Dos 79 papéis que compõem o Ibovespa, 43 operam em baixa. As ações da Vale (VALE3), de peso no índice, operam estavéis, com ligeira queda de 0,16%. Assim como parte dos grandes bancos com exceção do Itaú (ITUB4), que recuava 0,92%.
Já as ações preferenciais e ordinárias da Petrobras (PETR4 e PETR3) estão entre as maiores quedas do dia, com recuo de 1,91% e 1,63%, respectivamente. Todas as demais petroleiras também recuam, apesar da ligeira alta dos preços da commodity no exterior.
A tensão voltou a ganhar força após declarações do líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, defendendo a manutenção do estoque de urânio enriquecido do país, além das negociações entre Teerã e Omã para criar um sistema de pedágios no Estreito de Ormuz.
Segundo a agência Iranian Students’ News Agency, o Irã prepara uma resposta ao último texto apresentado por Washington, que teria reduzido parcialmente as divergências entre os dois lados. Na quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou que os EUA pretendem recuperar o estoque iraniano de urânio enriquecido.
Para Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, o mercado global segue operando sem convicção, alternando rapidamente entre momentos de alívio diplomático e reprecificação do risco geopolítico.
"O ambiente global continua dominado pela combinação entre risco geopolítico, inflação persistente e incerteza sobre a política monetária americana. O mercado ensaia movimentos de alívio sempre que surgem sinais diplomáticos envolvendo Irã e Estados Unidos, mas ainda sem confiança suficiente para desmontar os prêmios de risco acumulados nas últimas semanas", afirma.
Segundo o analista, mesmo com a devolução parcial das altas recentes do petróleo, a commodity ainda permanece acima de US$ 100, mantendo preocupações inflacionárias no radar e reforçando a percepção de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos.
No cenário doméstico, o foco dos investidores se volta para o Relatório Bimestral de Receitas e Despesas Primárias, que pode trazer um novo bloqueio orçamentário diante do avanço das despesas obrigatórias, especialmente da Previdência. O mercado acompanha a deterioração gradual da dinâmica fiscal, enquanto o governo busca manter o compromisso com o arcabouço fiscal.
Na curva de juros, o mercado devolve parte do fechamento observado na sessão anterior, refletindo cautela com o cenário externo e as incertezas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). Apesar de ainda prevalecer a expectativa de corte de 0,25 ponto percentual da Selic, o espaço para um ciclo mais intenso de flexibilização monetária segue limitado pelo ambiente internacional e pelas preocupações fiscais.
O dólar, por sua vez, continua sustentado pelo ambiente de prudência global. Ainda assim, o real mantém relativa resiliência, apoiado pelo elevado diferencial de juros do Brasil e pela atratividade das operações de carry trade, segundo Mollo.
Petróleo tem leve alta em meio a suspense com negociações de paz entre EUA-Irã
O petróleo voltou a oscilar nesta sexta-feira, diante da ausência de confirmação oficial sobre um acordo definitivo envolvendo cessar-fogo, retirada do urânio enriquecido iraniano e garantias de livre navegação no Estreito de Ormuz.
O contrato do petróleo tipo Brent, referência mundial, registrava ligeira alta de 0,69%, cotado a US$ 103,29, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, registrava ligeira alta de 0,11%, a US$ 96,40.
Bolsas globais avançam
Enquanto isso, as bolsas globais operavam em alta nesta manhã. Em Wall Street, os índices futuros avançavam, com o Dow Jones subindo 0,76%, o S&P 500 ganhando 0,44% e o Nasdaq avançando 0,43%.
Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 subia 0,73%, enquanto o DAX, da Alemanha, avançava 1,14%. O FTSE 100, de Londres, tinha alta de 0,32%, e o CAC 40, de Paris, subia 0,72%.
Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta, impulsionados pelo otimismo cauteloso em torno das negociações diplomáticas. O japonês Nikkei liderou os ganhos, com avanço de 2,68%, puxado por ações de tecnologia e eletrônicos. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,86%, enquanto o índice de Xangai avançou 0,87%.
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