Petrobras é consenso das carteiras de abril e desbanca PRIO
A escalada da guerra no Oriente Médio e a disparada do petróleo provocaram uma mudança no posicionamento dos grandes nas carteiras de ações do Ibovespa recomendadas para abril de 2026.
A busca por proteção em meio à volatilidade global transformou a Petrobras (PETR3 e PETR4) no principal consenso do mercado, desbancando até mesmo a Prio (PRIO3), que vinha sendo a "queridinha" das casas de análise até poucas semanas atrás.
A mudança marca uma virada também no sentimento dos operadores sobre o Ibovespa. Entre janeiro e fevereiro, o principal índice acionário da B3 subiu 17,17% e em apenas um mês superou o acumulado de capital estrangeiro de todo o ano de 2025.
Mas o cenário virou com a eclosão da guerra no Irã após ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel no dia 28 de fevereiro.
Em meio ao conflito, o fechamento do Estreito de Ormuz, no golfo pérsico, rota estratégica de passagem de 20% do comércio global de energia, fez o petróleo disparar mais de 50% e trouxe volatilidade para os mercados.
Nesse novo ambiente, os bancos passaram a convergir para ativos mais resilientes, e a Petrobras emergiu como o principal deles.
Petrobras de volta às recomendações
A estatal aparece como a grande unanimidade entre Santander, Itaú BBA, XP, BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) e Ágora/ Bradesco BBI, seja por inclusão, aumento de peso ou manutenção estratégica nas carteiras.
No campo dos que incluíram os papéis da companhia está o Itaú BBA. Segundo o banco, a entrada do papel na carteira Top 5 tem como objetivo capturar o ciclo de alta do petróleo e o impacto nos dividendos.
"Avaliamos que a companhia deve se beneficiar da alta do preço do petróleo, especialmente por meio de ajustes para cima no preço do diesel. Com uma perspectiva de receitas mais fortes, esperamos que a Petrobras terá espaço no seu balanço para uma distribuição de dividendos generosa ao longo dos próximos trimestres", afirmou o banco.
O BTG Pactual foi além e promoveu uma troca simbólica, retirando a PRIO para colocar Petrobras no lugar. "Embora ambas as empresas estejam expostas a preços mais elevados do petróleo, acreditamos que a Petrobras está mais protegida caso a guerra termine e os preços do petróleo caiam", disse a instituição.
"Em um cenário em que os preços do petróleo caiam para US$ 80 e a Petrobras não reajuste os preços da gasolina e do diesel, ainda assim prevemos que ela apresente um rendimento de fluxo de caixa livre (FCF) de 9% e um rendimento de dividendos de 8%", acrescentou.
Já o Santander aumentou o peso da ação para 12% e reforçou a leitura de que o petróleo deve permanecer elevado por mais tempo. "Os preços de petróleo tendem a se acomodar em um nível acima do patamar pré-conflito", disse.
A XP, por sua vez, destacou o papel da companhia como "amortecedor" do mercado. "O setor de Óleo & Gás, em especial Petrobras, tem sido importante para evitar uma queda mais acentuada do mercado acionário brasileiro".
A Ágora, embora tenha feito recomendação neutra para o papel da Petrobras, reconhece o potencial de retorno, estimando entre 6% e 12,5%, dependendo da política de preços da companhia.
O que une as carteiras: energia e bancos como porto seguro
Além da Petrobras, as carteiras mostram uma convergência clara em torno dos setores de energia e bancos tradicionais.
No setor elétrico, nomes como Eneva e Axia (antiga Eletrobras) aparecem de forma recorrente. A tese é defensiva, com contratos de longo prazo e previsibilidade de receitas. A Eneva, em especial, ganhou destaque após o sucesso no leilão de reserva de capacidade, que, segundo Santander e Itaú, deve destravar valor relevante.
Já no setor financeiro, o Itaú Unibanco é praticamente consenso. Mesmo com a redução de peso de 15% para 10%, como a redução feita pela XP, o banco segue como "top pick", sustentado por sua escala, diversificação e menor volatilidade de resultados.
O BTG, por exemplo, manteve 20% da carteira em financeiras, destacando que o Brasil segue atraindo capital estrangeiro "mesmo em um ambiente de extrema volatilidade", com fluxo que já supera R$ 50 bilhões no ano.
As divergências
Apesar da convergência nos setores defensivos, há pontos de discordância. O principal deles está na construção civil. A Cyrela, por exemplo, segue como uma das preferidas de Santander e Ágora, mas teve peso reduzido pela XP, que adotou tom mais cauteloso.
"Adotamos uma postura mais cautelosa em relação ao segmento de média/alta renda diante do aumento de estoques em São Paulo, VSO mais fraca em ano eleitoral e maior incerteza em relação a alvarás, o que pode pesar sobre vendas e lançamentos", afirmou a casa.
Outro ponto de divergência é o Nubank. A XP incluiu o papel na carteira, citando “uma combinação rara de crescimento estrutural e valuation atrativo”, enquanto o Itaú BBA optou por removê-lo para dar espaço à Petrobras, sinalizando uma priorização de geração de caixa no curto prazo.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: