Petrobras investe R$ 150 milhões em tecnologia nacional que pode baratear hidrogênio
A Petrobras e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) lançaram nesta terça-feira, 16, um edital de R$ 150 milhões para apoiar o desenvolvimento de um eletrolisador de porte industrial fabricado no Brasil.
O equipamento usa a eletricidade para converter água em hidrogênio de baixa emissão de carbono, considerado uma das alternativas para a descarbonização em setores industriais de difícil abatimento de emissões.
A iniciativa busca fortalecer a capacidade tecnológica nacional em uma cadeia produtiva ainda pouco desenvolvida no país. Atualmente, há poucas empresas no país que produzem eletrolisadores e nenhuma fabrica o Stack, componente onde ocorre a reação que transforma água em hidrogênio.
O lançamento do edital ocorreu na sede da Petrobras e contou com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e da presidente da Petrobras, Magda Chambriard. Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a proposta está alinhada à estratégia de desenvolvimento de tecnologias consideradas estratégicas para a indústria nacional.
“Com esta iniciativa, reforçamos o compromisso do MCTI e do Governo Federal com o desenvolvimento de tecnologias estratégicas para a reindustrialização, a sustentabilidade e a soberania nacional. Trabalhamos de forma conjunta para fortalecer uma cadeia tecnológica importante, apoiando nossa indústria, barateando custos e preparando o país para os desafios do futuro”, afirmou Luciana Santos.
Redução de custos e no desenvolvimento tecnológico
Além da nacionalização da produção, o edital tem como objetivo reduzir os custos associados à produção de hidrogênio por eletrólise, processo que ainda enfrenta barreiras econômicas para adoção em larga escala.
A chamada pública estabelece exigência mínima de 50% de conteúdo nacional. Também permite o desenvolvimento a partir de tecnologias já existentes, desde que sejam incorporados avanços tecnológicos considerados mensuráveis.
Para Magda Chambriard, o hidrogênio de baixa emissão pode desempenhar papel relevante na descarbonização de segmentos como siderurgia, indústria química e refino.
“O hidrogênio de baixo carbono é uma das alavancas mais concretas para descarbonização. Precisamos aprimorar o desenvolvimento científico para viabilizá-lo e assim tornar mais sustentáveis indústrias como siderurgia, química e de refino", explica. De acordo com a presidente, o custo de produzir hidrogênio por eletrólise ainda é alto e, por isso, reduzir esse custo é um dos objetivos centrais da companhia no país. "O Brasil está bem posicionado para liderar essa agenda. A Petrobras está avançando e comprometida com a transição energética justa."
Como funcionará o edital
Os recursos serão divididos igualmente entre Petrobras e Finep, com R$ 75 milhões aportados por cada instituição. O financiamento será feito por meio de recursos não reembolsáveis, complementados por contrapartidas das empresas participantes.
O edital apoiará um projeto estruturante que deverá reunir uma rede de parceiros, incluindo pelo menos três empresas envolvidas no desenvolvimento tecnológico e uma Instituição de Ciência e Tecnologia (ICT). A proposta contempla atividades que vão desde a engenharia básica até a construção de um protótipo pré-comercial.
“Queremos reduzir a dependência tecnológica externa e, assim, o custo do hidrogênio, a principal barreira para a sua adoção em larga escala. O desenvolvimento deve cobrir desde a engenharia básica até um protótipo pré-comercial”, afirmou Renata Baruzzi, diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras.
Para o presidente da Finep, Luis Antonio Elias, a iniciativa busca ampliar a participação brasileira não apenas na produção de energia limpa, mas também no desenvolvimento das tecnologias associadas ao setor.
“O Brasil tem condições de liderar a transição energética global, mas nosso objetivo vai além da produção de energia limpa: queremos desenvolver as tecnologias que viabilizarão essa transformação. Este edital reúne, de forma inédita, os principais instrumentos de apoio à inovação em energia para impulsionar um projeto capaz de posicionar o Brasil na cadeia de hidrogênio”, afirmou.
Investimentos em inovação e transição energética
O lançamento ocorre em meio à ampliação dos investimentos públicos voltados à inovação e à transição energética. A Petrobras prevê destinar US$ 4 bilhões para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D,I) em seu plano de negócios para o período de 2026 a 2030.
Já a Finep informou ter direcionado mais de R$ 12,5 bilhões para o financiamento de projetos ligados à transição sustentável entre 2023 e 2025, ampliando sua atuação em tecnologias consideradas verdes.
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