Petrobras salta mais de 6% em Nova York com disparada do petróleo
O ADR da Petrobras (PBR), recibo que representa ações e permite que investidores comprem o papel em dólar nas bolsas americanas, avançava mais de 6,4% nas negociações pré-mercado na Bolsa de Nova York (Nyse) na madrugada desta segunda-feira, 2, refletindo a disparada do petróleo e o Oriente Médio.
Com a escalada das tensões entre Estados Unidos (EUA), Israel e Irã, o medo de interrupções no Estreito de Ormuz, rota estratégica de escoamento global do óleo na região, ficou maior. Qualquer bloqueio ou restrição à navegação na região pode reduzir a oferta global e pressionar os preços.
Os prêmios de risco já começaram a ser incorporados.
O Brent, benchmark global, subiu cerca de 9% e voltou a se aproximar da faixa dos US$ 80 por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, estava em ritmo semelhante, operando na casa dos US$ 72.
A Petrobras tende, assim, a se beneficiar de preços mais altos da commodity. Isso porque a valorização do barril melhora as perspectivas de receita, geração de caixa e rentabilidade da companhia, especialmente considerando que boa parte de sua produção é destinada ao mercado externo.
Além disso, a política de remuneração aos acionistas da estatal está atrelada à geração de caixa. Se o preço do petróleo ficar mais alto por um período prolongado, aumentam as expectativas de dividendos robustos, fator que costuma atrair investidores estrangeiros para o papel.
O desempenho do ADR também funciona como um termômetro para a abertura da B3, e, como a Petrobras está entre as empresas de maior peso no Ibovespa, uma desempenho em forte alta pode influenciar diretamente o desempenho do índice hoje no Brasil.
Em cenários de choque de oferta, como o risco atual envolvendo o fluxo pelo Oriente Médio, companhias como a Petrobras costumam ser vistas, ainda, como proteção dentro da renda variável, o que ajuda a explicar o fluxo comprador no exterior antes da abertura do mercado regular.
Analistas ouvidos pela CNBC alertam que um bloqueio prolongado nesse fluxo, escoado por Ormuz, poderia levar o barril aos três dígitos. Até o momento, qualquer desfecho permanece incerto, mas o mercado segue incorporando um prêmio de risco geopolítico aos preços da commodity.
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