Petróleo reduz ganhos, mas segue rumo à alta recorde com guerra no Irã

Por Tamires Vitorio 10 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Petróleo reduz ganhos, mas segue rumo à alta recorde com guerra no Irã

O petróleo registrou uma das maiores altas dos últimos anos nesta segunda-feira, 9, impulsionado pela escalada da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio.

Os contratos do Brent, referência global, chegaram a subir cerca de 29% durante a madrugada, atingindo quase US$ 119,50 por barril. Mais tarde, reduziram parte dos ganhos e eram negociados perto de US$ 108, ainda com alta superior a 16%. Às 6h06, no horário de Brasília, o Brent futuro subia mais de 15%, cotado a US$ 106,68.

O West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, também avançou mais de 15%, sendo negociado acima de US$ 105 por barril. Em determinado momento do pregão, chegou a alcançar US$ 119,48.

A disparada coloca o petróleo nos níveis mais altos desde meados de 2022, quando o mercado foi abalado pela invasão da Ucrânia pela Rússia.

Estreito de Ormuz amplia risco para o mercado

O principal foco de preocupação está no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo transportado no mundo.

A guerra elevou os riscos de segurança na região e provocou interrupções no transporte marítimo, afetando a circulação de navios petroleiros.

Com a crise concentrada nessa área, compradores asiáticos dependentes do petróleo do Oriente Médio tornaram-se particularmente vulneráveis a possíveis interrupções no abastecimento.

Analistas apontam que, caso o fluxo de petróleo pelo estreito não seja retomado rapidamente, a pressão sobre os preços pode continuar.

Cortes de produção agravam pressão na oferta

Além das dificuldades logísticas, a guerra já começa a afetar diretamente a produção de energia na região.

Iraque e Kuwait iniciaram cortes na produção de petróleo após dificuldades para exportar pela rota marítima. Ao mesmo tempo, exportações de gás natural liquefeito do Catar também foram reduzidas.

No Iraque, a produção nos principais campos do sul do país caiu cerca de 70%, chegando a aproximadamente 1,3 milhão de barris por dia, segundo fontes da indústria.

O país enfrenta dificuldades para escoar a produção, enquanto os estoques já atingiram capacidade máxima.

Analistas avaliam que Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita podem ser obrigados a reduzir produção caso o conflito se prolongue.

Infraestrutura de energia também sofre impactos

Instalações de energia na região também foram afetadas pela escalada da guerra.

A refinaria da empresa estatal BAPCO, no Bahrain, declarou force majeure após um ataque recente ao complexo industrial.

Nos Emirados Árabes Unidos, um incêndio foi registrado na zona industrial petrolífera de Fujairah, causado pela queda de destroços durante o conflito.

Na Arábia Saudita, o governo informou ter interceptado um drone que seguia em direção ao campo petrolífero de Shaybah.

Mudança no comando do Irã influencia mercado

O cenário político no Irã também contribuiu para a alta dos preços.

A nomeação de Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, como novo líder supremo do país reforçou a percepção de continuidade da linha mais rígida do regime.

Analistas avaliam que essa mudança reduz as chances de uma desescalada rápida do conflito e aumenta o risco de novos ataques contra infraestruturas energéticas na região.

Mercado teme meses de combustível caro

Mesmo que o conflito termine rapidamente, analistas alertam que o impacto sobre o mercado de energia pode durar meses.

Danos a instalações, interrupções logísticas e riscos elevados para o transporte marítimo tendem a manter o mercado sob pressão.

Especialistas também destacam o risco de paralisação de poços de petróleo caso a guerra se intensifique, o que poderia reduzir ainda mais a produção global.

Nesse cenário, alguns analistas projetam que o WTI poderia alcançar níveis entre US$ 120 e US$ 130 por barril no curto prazo.

Mercados acompanham tensão global

A disparada do petróleo provocou reações nos mercados financeiros.

Bolsas europeias abriram em queda, enquanto futuros das bolsas americanas também recuaram. O aumento do preço da energia elevou preocupações com inflação e com o risco de estagflação.

No mercado cambial, o dólar se fortaleceu diante da busca por ativos considerados mais seguros.

Ao mesmo tempo, a pressão política sobre o governo dos Estados Unidos aumentou. Lideranças no Congresso pedem que o país utilize sua reserva estratégica de petróleo para tentar conter o aumento dos preços da energia.

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