PIB do Brasil em desaceleração? Entenda em 6 fatos

Por Rafael Balago 3 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
PIB do Brasil em desaceleração? Entenda em 6 fatos

O PIB brasileiro teve alta de 2,3% em 2025, e atingiu R$ 12,7 trilhões no ano passado. Em 2024, no entanto, a alta havia sido de 3,4%, o que indica uma desaceleração.

Entenda a seguir as razões dessa queda e o que os números indicam sobre o futuro da economia em 2026.

1. Taxa de juros elevada afetou PIB

O Banco Central tem mantido a taxa de juros em 15% ao ano, o que reduz os investimentos em vários setores, como a construção civil e a indústria.

Como esta taxa permite um alto rendimento, empresários e investidores tendem a preferir colocar seu dinheiro em investimentos financeiros de renda fixa a investir em novos negócios.

Ao mesmo tempo, o crédito fica mais caro, e as pessoas e empresas ficam com mais dificuldade para fazer compras de itens de alto valor, como casas e carros, ou obter financiamento para comprar máquinas e aumentar a produção.

A medida do BC é tomada para conter a inflação. Com menos crédito, há menor consumo e os preços tendem a cair, mas também há o efeito de queda do PIB.

"Estamos com uma inflação ainda em torno de 4,5%. A gente precisa de fato fazer um trabalho adicional para conseguir trazer essa inflação mais para baixo. Para isso acontecer, o Banco Central vai ter que manter juros elevados durante um bom tempo ainda", avalia Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.

"Acho que começa a cair já agora em março, não 0,75 ponto percentual como parte do mercado espera. Acho que vai ser uma queda mais fraca por conta das incertezas que apareceram da guerra do Irã, a incerteza em relação ao preço do petróleo", diz Vale.

2. O freio da economia veio no segundo semestre

O PIB teve alta de 0,1% no terceiro trimestre de 2025, e de 0,1% no quarto trimestre, o que indica uma economia em desaceleração. No começo do ano, o PIB cresceu 1,5% no primeiro trimestre e 0,3% no segundo semestre.

A maior parte do crescimento veio da venda de commodities, como produtos agrícolas, minerais e petróleo.

Apesar do freio, analistas apontam que o mercado de trabalho segue aquecido, bem como o consumo das famílias (mesmo bem menor do que o verificado em 2024), que também ajudaram a evitar um encolhimento do PIB.

3. Redução no fim do ano reduz impulso para a economia em 2026

Como o PIB teve um esfriamento no final de 2025, o ano de 2026 começa com menos impulso, o que afetará o resultado desse ano.

Mais do que o número fechado de 2025, o mercado olha para o chamado “carregamento estatístico” — o quanto o desempenho do fim do ano impulsiona automaticamente o ano seguinte, segundo os economistas.

"A economia brasileira encerra 2025 com perda clara de dinamismo, com carry-over (carregamento) bastante reduzido para 2026. Embora o consumo das famílias ainda encontre suporte em um mercado de trabalho resiliente e em medidas de estímulo à renda, o enfraquecimento do investimento e as condições financeiras restritivas sugerem trajetória de expansão moderada à frente", diz Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Pine.

4. Queda da taxa de juros poderá melhorar resultados

Há expectativa de que o Banco Central comece a reduzir a taxa de juros neste ano, de forma gradual, o que poderá estimular a economia.

"Para 2026, projetamos uma variação real anual de 2,0% no PIB com participação menor da agropecuária e alívio vindo com a perspectiva de início do ciclo de corte de juros", diz Bruno Imaizumi, economista da 4intelligence.

5. Eleições em 2026 trazem incertezas

O Brasil terá eleições presidenciais em outubro, que poderão trazer turbulência e incertezas, mas o governo poderá adotar mais benefícios fiscais, de modo a estimular o consumo.

"O mercado de trabalho aquecido pelo lado da renda e da ocupação continuará sustentando o consumo de alguma forma e as eleições podem trazer algumas surpresas, a serem acompanhadas, em termos de benesses fiscais ao decorrer do ano", diz Imaizumi.

6. Agro cresceu muito, mas deve ter menos força em 2026

O setor agrícola teve alta de 12,6% em 2025, na comparação anual, enquanto a indústria subiu apenas 0,6% e os serviços, 2%.

Além de boas safras de soja e milho, o setor teve alta produção de fumo, laranja e trigo, além do bom desempenho do abate de bovinos.

No entanto, o cenário para 2026 é de expectativa de safras menores e de baixa nos preços das commodities. O dólar em queda também fará com que os exportadores recebam menos reais pelos produtos vendidos.

"A gente não vai ter commodities ajudando com tanta intensidade agora. Vamos ter uma safra um pouco menor, os preços de commodities também estão moderados, a taxa de câmbio tá baixa. A pecuária também não vai ter aquela expansão", diz Vale, da MB Associados. Ele projeta que o PIB brasileiro vá crescer 1,8% em 2026.

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