Picasso, Ayrson Heráclito e Tarsila do Amaral: o que esperar da SP-Arte?
Entre os dias 8 e 12 de abril, o Pavilhão da Bienal, no Parque Ibirapuera, vai se tornar o endereço obrigatório para colecionadores, curadores e entusiastas da arte. Na 22ª edição, a SP-Arte se transforma em um intercâmbio cultural do Hemisfério Sul, e vai reunir 180 expositores que vão de galerias consagradas a estúdios de design independentes.
Além dos expositores, a SP-Arte deste ano funcionará como um hub de diferentes experiências. "Chegamos com a consagração do design dentro e fora da feira, enquanto o segmento de arte segue reunindo seleções especialmente pensadas para o evento", destaca Fernanda Feitosa, fundadora e diretora-executiva do evento.
A feira recebe bate-papos na Arena Iguatemi; promove conversas no Palco SP-Arte; amplia o 3º andar para abrigar instituições culturais, lounges de patrocinadores e o Premium Lounge da SP-Arte; além de promover prêmios para designers e artistas com marcas parceiras.
Os principais destaques da SP-Arte em 2026
Ateliers Hugo & Picasso. Musée Magnelli de Vallauris (Musée Magnelli de Vallauris)
Entre os destaques deste ano estão nomes como o Ateliers Hugo, tradicional ateliê francês de ourivesaria. Em sua primeira vez no Brasil e na América Latina, em cojunto com a galeria Gomide&Co, ele trará uma seleção de joias e objetos criados em colaboração com artistas como Pablo Picasso, Salvador Dalí, Jean Cocteau, André Derain, entre outros.
No foco dos artistas nacionais, a Almeida & Dale traz um especial de arte brasileira com obras de Di Cavalcanti e Beatriz Milhazes. A Claraboia leva obras inéditas de Bel Ysoh, Bernardo Liu, Loren Minzú, Gabriel Roemer e Renato Rios. A Flexa reúne desde artes de Tarsila do Amaral a Adriana Varejão e Lucio Fontana.
Peça de Adriana Varejão que estará exposta na SP-Arte (Flexa/ Divulgação)
A Paulo Darzé Galeria percorre a produção do artista, professor e curador Ayrson Heráclito, um dos brasileiros na exposição principal da próxima Bienal de Veneza, e sua pesquisa sobre diásporas negras nas Américas. Outras obras dele também poderão ser conferidas na Simões de Assis. O estande da Pinakotheke reúne obras que marcaram a história da arte brasileira, com destaque para o tríptico “A Queda do Anjo”, de Siron Franco, depois de sua participação em exposições institucionais.
A Mendes Wood DM apresenta uma seleção de artistas em destaque na cena atual, caso de Rosana Paulino e Sonia Gomes, e destaca o trabalho de Lygia Pape, figura-chave da arte brasileira. A Fonte celebra 30 anos de trajetória da artista Flavia Renault.
"Rio", da série "Orikis de Instrução", 2025, de Ayrson Heráclito. (Lukas Cravo/ Divulgação)
Dedicada aos artistas históricos, a exposição da Zipper Galeria reúne figuras centrais da pintura brasileira, como Di Cavalcanti e Djanira, que registraram com lirismo, onirismo e sensibilidade a vida, os trabalhadores e as festas populares brasileiras. Na abstração, há também obras de Manabu Mabe, Yolanda Mohalyi e Iberê Camargo. A geometria e a arte cinética aparecem em trabalhos de Luiz Sacilotto, Abraham Palatnik e Arcangelo Ianelli.
E tem mais vindo do Nordeste. A Cave, que tem direção de Pedro Diógenes, estreia na SP–Arte 2026 com o projeto “Anímico”, quereúne um conjunto de artistas que investigam dimensões de segredo, mistério e intraduzibilidade do inconsciente. A artista indígena Navegante Tremembé também traz "Arquivos da Terra", com curadoria de Lucas Dilacerda, que reúne um conjunto de pinturas feitas com o toá.
Aniversariante, Nara Roesler comemora 50 anos de trajetória. No 2º andar também estão as editoras, como Act Arte, Ubu e Taschen.
Bernardo Liu-Fruta e ferro ( Estúdio Quadrante)
O que esperar da SP-Arte em 2o26?
Nesta edição, participam 64 expositores de design. 19 são estreantes e três são internacionais. Entre eles, estão nomes como LinBrasil, que lança a cadeira “Paiol”, uma das últimas criações de Sergio Rodrigues; a Bref, com criações de Jay Boggo; Bossa Furniture, casa de Isabela Milagre com sede em Nova Iorque que inaugura loja em São Paulo durante a feira; e Ulysses de Santi, que apresentará peças do artista visual Lucas Simões (representado pela Casa Triângulo) em sua incursão pelo design de mobiliário.
Novidade em 2026, o setor Design NOW, no 3º andar, terá uma curadoria de Livia Debbane e Patricia Dranoff que foca na cena independente brasileira. São 10 estúdios que produzem em pequena escala e vão ocupar mini-salas desenhadas pelo escritório Superlimão. São destaque os trabalhos de Percival Lafer, que comemora 90 anos durante a feira; as cerâmicas de Célia Cymbalista e as luminárias de Lucas Recchia. O Designers Group também trará peças de Rodrigo Ohtake e Simone Coste, e a estreia da coleção de mobiliário em cerâmica de Nicole e Luiza Toldi.
Cadeiras de Oscar Niemeyer, expostas no estante da ETEL ( Ruy Teixeira)
No segundo e no terceiro andar, haverá ainda uma série de debates. O Iguatemi Talks, no 2º andar, apresenta uma série de encontros mediados por Marcello Dantas dedicados à ideia de polinização cruzada — quando territórios distintos do conhecimento se encontram e produzem algo novo. No Palco SP-Arte, no 3º andar, acontecem conversas sobre arte e design com especialistas do setor com curadoria de Tamara Perlman, diretora de novos negócios da feira.
A Revo, empresa de transporte aéreo que participa pela primeira vez da feira, promove encontros com artistas e arquitetos como Sig Bergamin e Cássio Vasconcellos em seu lounge no 3º andar.
Premiações
Pelo segundo ano consecutivo, o prêmio Arauco SP-Arte de Inovação e Sustentabilidade contemplará uma viagem para a feira Interzum 2027, na Alemanhã, oferecida pela empresa, e um estande para participar da SP-Arte em 2027, oferecido pela própria feira. Em 2025, os ganhadores foram Victor Xavier e Søren Hallberg, da Assimply Studio.
Já a 2ª edição do Prêmio Artefacto SP-Arte Melhor Design será concedido a um jovem designer de destaque, que será convidado a participar do programa de viagens promovido pela empresa e receberá um estande para expor na SP-Arte em 2027. Erik Bonissato, fundador da Bonni, foi o ganhador em 2025.
Erik Bonissato, da Bonni, venceu o Prêmio Artefacto SP-Arte de Melhor Design (Divulgação SP-Arte)
O Sauer Art Prize também repete o sucesso de 2025, quando premiou a jovem artista Mayara Ferrão, representada pela galeria Verve. Neste ano, o artista selecionado receberá novamente um prêmio em dinheiro.
Novidade neste ano, o Prêmio MECA SP-Arte ABACT 2026 é uma iniciativa conjunta que oferecerá a um artista brasileiro — representado por uma galeria associada à ABACT — uma residência artística na sede do Instituto MECA, um conjunto arquitetônico histórico dentro do Estaleiro Mac Laren, em Niterói, RJ. Foram apresentados mais de 40 projetos, dos quais um será selecionado.
Conexão global: a ponte transatlântica
Entre as presenças internacionais, desembarcam na SP-Arte a Galería Sur, do Uruguai, que participa desde a estreia e se tornou presença constante ao longo de duas décadas; a londrina Lamb e as sul-americanas Salar, da Bolívia, e Casa Zirio, da Colômbia. A RGR reforça o diálogo com o México, enquanto Piero Atchugarry e David Peter Francis estendem a ponte com os Estados Unidos. No eixo transatlântico, a Continua, com sedes na Europa, Ásia e América Latina, sublinha o alcance global da feira.
Somam-se ainda a Baró, da Espanha; a Orma, da Itália; e a Emmanuelle G., com atuação entre França, Bélgica e Estados Unidos. A edição de 2026 também marca estreias e retornos após longos intervalos, apontando para uma renovação que inclui galerias do Peru (Crisis), da Argentina (Pasto e Ruth Benzacar) e de Portugal (Foco e Kubik).
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