Ping Pong: batalha por marca faz primeiro chiclete do Brasil ficar ‘sem dono’
O Brasil já teve um chiclete que dominava recreios, álbuns e conversas de escola.
Hoje, ele virou um ativo jurídico em disputa.
O Ping Pong, lançado em 1945 pela Kibon e considerado o primeiro chiclete de bola do país, perdeu o registro no INPI após anos sem uso comercial. A informação, da Folha de S.Paulo, foi confirmada pela EXAME.
A marca, que já foi onipresente, agora está oficialmente sem dono.
Nos documentos do processo, a dona mais recente da marca, a Mondelez, reconhece que o produto não é vendido desde 2015. O INPI entendeu que não houve uso suficiente para manter o registro, e decretou a caducidade.
Procuada, a Mondelez não retornou.
O vácuo já atrai interessados. A ASC Brands, que pediu a caducidade, uma empresa que tem outras marcas de chiclete pelo Brasil, afirma negociar o relançamento do Ping Pong e do Ploc, outro ícone da categoria que também teve a queda da marca protocolada no Inpi.
Qual foi a história do chiclete Ping Pong
O Ping Pong não era só um chiclete.
A marca ajudou a criar um modelo de consumo baseado em coleção. As figurinhas — de Copas do Mundo a dinossauros — transformaram um produto barato em um ritual recorrente.
Esse foi o principal motor de crescimento entre os anos 70 e 90. Comprar chiclete era, na prática, comprar conteúdo.
O problema veio quando o produto deixou de acompanhar o consumidor.
Nos anos 80, o Bubbaloo mudou a categoria ao introduzir recheio líquido. O Ploc avançou com estratégia parecida de figurinhas. O Ping Pong ficou associado a uma experiência inferior: duro e com sabor curto.
Nos anos 2000, já sob a Kraft Foods, a companhia optou por simplificar o portfólio.
Ping Pong e Ploc viraram uma marca só: Ploc-Pong. A tentativa durou pouco. O Ping Pong desapareceu e acabou absorvido de vez.
A lógica fazia sentido do ponto de vista de custo. Mas eliminou uma marca com memória forte — algo que, anos depois, se mostraria relevante.
O desafio de trazer de volta
A perda da marca não veio por disputa direta de mercado, mas por abandono.
Pela lei brasileira, empresas precisam comprovar uso contínuo. Caso contrário, qualquer terceiro com interesse pode pedir a caducidade.
Foi o que aconteceu. No caso do Ploc, o próprio INPI registrou que a empresa não conseguiu provar uso recente, apesar de mencionar planos de relançamento. Sem uso comprovado, o registro cai.
Relançar o Ping Pong não depende mais só de marketing. O mercado de chicletes encolheu, pressionado por mudanças de hábito e pela redução do consumo de açúcar. Além disso, o principal diferencial histórico — as figurinhas — hoje compete com jogos e redes sociais.
A nostalgia existe. Mas não garante demanda. O novo dono, se vier, vai precisar decidir: recriar o produto original ou reinventar completamente a proposta.
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