Ping Pong: batalha por marca faz primeiro chiclete do Brasil ficar ‘sem dono’

Por Daniel Giussani 8 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Ping Pong: batalha por marca faz primeiro chiclete do Brasil ficar ‘sem dono’

O Brasil já teve um chiclete que dominava recreios, álbuns e conversas de escola.

Hoje, ele virou um ativo jurídico em disputa.

O Ping Pong, lançado em 1945 pela Kibon e considerado o primeiro chiclete de bola do país, perdeu o registro no INPI após anos sem uso comercial. A informação, da Folha de S.Paulo, foi confirmada pela EXAME.

A marca, que já foi onipresente, agora está oficialmente sem dono.

Nos documentos do processo, a dona mais recente da marca, a Mondelez, reconhece que o produto não é vendido desde 2015. O INPI entendeu que não houve uso suficiente para manter o registro, e decretou a caducidade.

Procuada, a Mondelez não retornou.

O vácuo já atrai interessados. A ASC Brands, que pediu a caducidade, uma empresa que tem outras marcas de chiclete pelo Brasil, afirma negociar o relançamento do Ping Pong e do Ploc, outro ícone da categoria que também teve a queda da marca protocolada no Inpi.

Qual foi a história do chiclete Ping Pong

O Ping Pong não era só um chiclete.

A marca ajudou a criar um modelo de consumo baseado em coleção. As figurinhas — de Copas do Mundo a dinossauros — transformaram um produto barato em um ritual recorrente.

Esse foi o principal motor de crescimento entre os anos 70 e 90. Comprar chiclete era, na prática, comprar conteúdo.

O problema veio quando o produto deixou de acompanhar o consumidor.

Nos anos 80, o Bubbaloo mudou a categoria ao introduzir recheio líquido. O Ploc avançou com estratégia parecida de figurinhas. O Ping Pong ficou associado a uma experiência inferior: duro e com sabor curto.

Nos anos 2000, já sob a Kraft Foods, a companhia optou por simplificar o portfólio.

Ping Pong e Ploc viraram uma marca só: Ploc-Pong. A tentativa durou pouco. O Ping Pong desapareceu e acabou absorvido de vez.

A lógica fazia sentido do ponto de vista de custo. Mas eliminou uma marca com memória forte — algo que, anos depois, se mostraria relevante.

O desafio de trazer de volta

A perda da marca não veio por disputa direta de mercado, mas por abandono.

Pela lei brasileira, empresas precisam comprovar uso contínuo. Caso contrário, qualquer terceiro com interesse pode pedir a caducidade.

Foi o que aconteceu. No caso do Ploc, o próprio INPI registrou que a empresa não conseguiu provar uso recente, apesar de mencionar planos de relançamento. Sem uso comprovado, o registro cai.

Relançar o Ping Pong não depende mais só de marketing. O mercado de chicletes encolheu, pressionado por mudanças de hábito e pela redução do consumo de açúcar. Além disso, o principal diferencial histórico — as figurinhas — hoje compete com jogos e redes sociais.

A nostalgia existe. Mas não garante demanda. O novo dono, se vier, vai precisar decidir: recriar o produto original ou reinventar completamente a proposta.

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