‘Pizzas mais caras do mundo’ valem hoje R$ 3,8 bilhões; descubra o porquê
Em 22 de maio de 2010, Lazlo Hanyecz usou bitcoin para pagar por duas pizzas da pizzaria Papa Johns nos Estados Unidos. O que ele não sabia era que, posteriormente, o valor pago por suas pizzas se multiplicaria de forma exorbitante.
Naquela data ocorreu a primeira transação da história do bitcoin, que posteriormente ficaria conhecia como “Bitcoin Pizza Day”. Com o intermédio de Jeremy Sturdivant, que foi a pessoa que comprou as pizzas na pizzaria e as entregou a Lazlo por 10 mil BTC, foi realizada a transação de compra de pizzas mais cara da história.
Isso porque, 16 anos depois, as pizzas valem cerca de R$ 3,8 bilhões. A valorização expressiva do bitcoin, que na época valia centavos, fez com que o preço das pizzas saísse de U$ 41 para cifras bilionárias.
Tudo foi orquestrado a partir de uma publicação de Lazlo Hanyecz no fórum BitcoinTalk em 18 de maio de 2010. Mas apenas no dia 22 de maio foi que Jeremy Sturdivant atendeu o seu pedido e lhe entregou as pizzas.
Os impactos do Pizza Day na tecnologia blockchain
“Na época, o bitcoin era visto como um experimento sem valor prático para o mercado. Hoje, faz parte das estratégias de grandes gestoras, ETFs, empresas listadas e mesas institucionais no mundo inteiro”, disse Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio.
“Esse movimento também abriu espaço para o desenvolvimento de outras redes blockchain e outros criptoativos. Atualmente, o setor já passa de US$ 2,57 trilhões em valor de mercado, reforçando como aquela primeira transação comercial marcou o início de uma indústria que ganhou escala global”, acrescentou.
O que aconteceu depois: arrependimento?
Desde então, a data é comemorada por investidores e entusiastas da primeira criptomoeda do mundo. Apesar de muito se especular sobre um possível arrependimento de Lazlo por ter pagado 10 mil bitcoins em duas pizzas, ele afirmou posteriormente não se arrepender até realizou outras compras com a criptomoeda. Estima-se que ele tenha gastado entre 70 mil e 100 mil bitcoins no total.
Jeremy Sturdivant, por outro lado, se beneficiou da valorização dos 10 mil bitcoins que recebeu de Lazlo pelas pizzas, mas quando o valor atingiu US$ 400 dólares, cerca de 10 vezes de valorização, ele afirma ter gastado esse dinheiro em uma viagem com a namorada.
Marco para o setor cripto
De lá para cá a tecnologia blockchain evoluiu para ter outros componentes, como criptomoedas com propósitos diferentes, stablecoins e até mesmo NFTs. Isso também fez com que o bitcoin perdesse seu apelo como uma forma de pagamento digital e passasse a ser classificado como o “ouro digital” por alguns especialistas.
“O Bitcoin Pizza Day se tornou muito mais do que um marco cripto. Ele agora é um momento cultural global que reflete a rapidez com que as comunidades digitais podem moldar o futuro das finanças”, disse Thiago Sarandy, diretor-geral da Binance no Brasil.
O executivo mencionou que no Brasil, já um crescente interesse em criptoativos impulsionado “não apenas pela própria tecnologia, mas também por comunidades que compartilham conhecimento, educam umas às outras e exploram novas formas de participação financeira”.
“Nos últimos anos, vimos um engajamento crescente em torno de pagamentos, acesso financeiro e o crescente uso das stablecoins, mas temos notado também uma expansão acelerada dessa tecnologia na infraestrutura financeira, mostrando como os ativos digitais estão se tornando mais relevantes no dia a dia”, disse.
“O Bitcoin Pizza Day é um lembrete de quão longe o setor chegou. De uma transação experimental a um ecossistema verdadeiramente global, alimentado por milhões de usuários em todo o mundo”, concluiu Sarandy em comentário enviado à EXAME.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: