Planos de saúde individuais terão reajuste máximo de 5,11%, define ANS
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anunciou nesta sexta-feira, 29, que o reajuste contratual anual de planos de saúde poderá ter valor máximo de 5,11%.
Segundo a ANS, o percentual é o menor autorizado desde 2000, quando o teto foi de 5,42%, com exceção de 2021, ano em que o reajuste foi negativo (-8,19%) por causa da queda no uso de serviços de saúde durante o isolamento da pandemia de Covid-19.
Nos últimos cinco anos, o índice recuou progressivamente: 15,5% em 2022, 9,63% em 2023, 6,91% em 2024 e 6,06% em 2025.
"Esse é o reajuste mais baixo já definido pela ANS, o que traz alívio para o cidadão que se esforça para manter um plano de saúde para sua família. Nosso objetivo é sempre buscar o equilíbrio, garantindo a sustentabilidade do setor e a capacidade de pagamento dos beneficiários", afirmou o diretor-presidente da ANS, Wadih Damous.
O índice se aplica aos contratos regulamentados — firmados a partir de 1º de janeiro de 1999 ou adaptados à Lei nº 9.656/1998 —, que cobrem cerca de 7,7 milhões de beneficiários, o equivalente a 14,5% dos 52,9 milhões de consumidores de planos de assistência médica no país, de acordo com a ANS.
Os planos empresariais e coletivos têm reajustes definidos por livre negociação entre contratante e operadora. Um levantamento divulgado pela ANS em 5 de maio mostrou variação média de 9,9% nesses contratos nos dois primeiros meses de 2026, a menor alta em cinco anos.
O reajuste só pode ser aplicado no mês de aniversário do contrato. Para os contratos com aniversário em maio e junho, a cobrança poderá começar em julho ou agosto, retroagindo à data de aniversário, conforme a ANS.
Por que o índice supera a inflação?
O percentual de 5,11% fica acima da inflação acumulada em 12 meses. O IPCA-15, prévia da inflação oficial, registrou 4,64% até maio.
A diferença existe porque a ANS não usa a inflação geral como base, mas uma metodologia própria que combina dois componentes: o Índice de Valor das Despesas Assistenciais (IVDA), com peso de 80%, e o IPCA — excluindo o subitem "Plano de Saúde" —, com peso de 20%.
O IVDA reflete a variação das despesas com atendimento aos beneficiários e leva em conta três fatores: a Variação das Despesas Assistenciais (VDA), calculada com base em dados contábeis das operadoras; a Variação da Receita por Faixa Etária (VFE), que desconta a parcela dos custos já recomposta pelo aumento de mensalidades por envelhecimento dos beneficiários; e o Fator de Ganhos de Eficiência (FGE), que repassa ao consumidor parte dos ganhos de produtividade do setor.
As despesas assistenciais per capita nos planos individuais regulamentados cresceram 8,32% em 2025 em relação a 2024, reflexo do aumento de preços de serviços e insumos de saúde, do maior consumo de procedimentos e das mudanças no perfil etário dos beneficiários.
O percentual final de 5,11% foi calculado pela Diretoria de Normas e Habilitação dos Produtos, validado pelo Ministério da Fazenda e aprovado pela Diretoria Colegiada da ANS.
Saúde mais cara nos últimos anos
A trajetória de alta dos planos de saúde vai muito além de um único reajuste.
Entre 2006 e 2024, o preço dos planos cresceu cerca de 327%, quase o dobro do IPCA acumulado no período, de aproximadamente 170%. Esse foi o principal fator de pressão nos custos do grupo "Saúde e Cuidados Pessoais" da inflação oficial, segundo nota técnica do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS).
O estudo aponta que o Brasil está entre os países com maior crescimento de preços de planos em relação à inflação geral, superando Alemanha, França e Estados Unidos.
"O aumento acelerado dos preços pode resultar na exclusão de parte da população do mercado de saúde suplementar e pressionar ainda mais o SUS, que é cronicamente subfinanciado", alertou Vinícius Peçanha, pesquisador do IEPS.
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