PMIs, ADP e Oriente Médio: o que acompanhar na agenda dos mercados nesta terça-feira
A agenda desta terça-feira, 7, traz indicadores relevantes de atividade no exterior e no Brasil, com potencial de influenciar expectativas para juros, câmbio e crescimento global.
O que acompanhar no exterior
No cenário internacional, o destaque será a divulgação às 05h00 dos PMIs finais de serviços e industrias de março na Zona do Euro, incluindo leituras de Alemanha, França e Reino Unido. Os indicadores funcionam como termômetro do ritmo da atividade e ajudam a calibrar as expectativas para os próximos passos do Banco Central Europeu (BCE).
Nos Estados Unidos, será divulgado às 9h15 o ADP de variação de empregos privados de março, considerado um sinal antecedente importante para o payroll oficial e, consequentemente, para as apostas sobre a trajetória dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos).
Na sequência, às 9h30, serão divulgadas as encomendas de bens duráveis de fevereiro pelo Conference Board. O indicador é importante para medir o ritmo da atividade industrial e os investimentos das empresas, após alta de 1,4% em janeiro na comparação mensal. Resultados mais fortes podem sinalizar resiliência da economia, enquanto números mais fracos reforçam a leitura de desaceleração.
Ao meio-dia, o Fed de Nova York publica as expectativas de inflação de março. No período da tarde, o mercado acompanha falas de dirigentes do Federal Reserve. Às 13h35, o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, participa de um evento, e seus comentários podem trazer sinais sobre o balanço de riscos da economia e os próximos passos dos juros.
Por fim, às 14h, o Tesouro dos Estados Unidos realiza leilão de T-notes de 3 anos. A demanda pelos títulos será monitorada como indicativo do apetite dos investidores por ativos americanos, em um momento de incertezas sobre inflação e trajetória da política monetária.
O que acompanhar no Brasil
No Brasil, o mercado acompanha os dados de produção e vendas de veículos da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e, às 15h, a balança comercial mensal da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), que deve trazer pistas sobre o desempenho do setor externo e o fluxo cambial no curto prazo.
No Câmara dos Deputados, a agenda desta terça-feira traz discussões com potencial de impacto relevante para infraestrutura, mercado de trabalho e energia. Pela manhã, às 10h, entra em pauta o contrato de concessão ferroviária da Rumo Malha Sul, tema acompanhado de perto por investidores do setor logístico e de transporte de commodities.
À tarde, a partir das 14h, será debatida a PEC 221/19, que trata do fim da escala 6x1, com possíveis efeitos sobre custos trabalhistas e produtividade em diversos setores. Também estão na agenda discussões sobre a inclusão do setor hidroviário no Programa Nacional de Desestatização, relevante para concessões e investimentos em logística, e sobre o uso de Small Modular Reactors no mercado brasileiro, tema estratégico para a diversificação da matriz energética.
Para o mercado, o avanço dessas pautas sinaliza possíveis mudanças regulatórias e oportunidades de investimento em infraestrutura e energia no médio prazo.
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Muricca Galípolo, participaria pela manhã do Brazil Investment Forum, promovido pelo Bradesco BBI, evento acompanhado pelo mercado em busca de sinais sobre o cenário macro e a condução da política monetária. A participação, no entanto, foi cancelada.
Já o diretor de Regulação do BC, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, terá reunião com executivos da Visa Brasil para tratar de temas ligados à organização do sistema financeiro, pauta relevante para o avanço da agenda regulatória e do setor de meios de pagamento no país.
Balanços corporativos
No exterior, a agenda corporativa desta terça-feira (7) traz resultados de Levi Strauss & Co. (LEVI), Greenbrier (GBX) e Aehr Test Systems (AEHR). A Levi Strauss deve funcionar como termômetro do consumo de classe média, com projeção de receita de US$ 1,65 bilhão e lucro por ação de US$ 0,37.
Já a Greenbrier tende a oferecer sinais sobre o ritmo da logística e do transporte de commodities na América do Norte, com atenção especial à carteira de pedidos.
No setor de tecnologia, a Aehr Test Systems deve reportar números mais fracos no curto prazo, mas investidores monitoram principalmente as perspectivas da empresa ligadas à demanda por infraestrutura de chips voltados à inteligência artificial.
Oriente Médio: terça-feira é prazo decisivo para possível acordo
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã entra no 39º dia nesta terça-feira sob expectativa de um possível avanço diplomático. O presidente Donald Trump estabeleceu o dia como prazo para um entendimento envolvendo a reabertura do Estreito de Ormuz — ponto central do impasse e rota de cerca de 20% do petróleo mundial.
Sem acordo, Washington ameaça ampliar ataques à infraestrutura crítica iraniana. O Irã rejeita ultimatos e mantém o estreito fechado, enquanto negociações indiretas seguem com mediação de Paquistão, Egito e Turquia.
Para os mercados, a terça-feira é vista como decisiva: um avanço nas tratativas pode aliviar a pressão sobre o petróleo e o risco geopolítico global, enquanto um fracasso tende a manter a volatilidade elevada na abertura da semana.
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