PMIs globais, emprego nos EUA e balanços: o que move os mercados
A agenda desta quinta-feira, 23, concentra divulgações relevantes de atividade econômica e mercado de trabalho nas principais economias, com destaque para Europa e Estados Unidos, além da reunião do Banco Central Europeu (BCE), que pode trazer eventuais sinalizações institucionais sobre o ambiente econômico da Zona do Euro, especialmente em um contexto em que os PMIs seguem próximos da linha de 50 pontos — nível que separa expansão de contração.
O que acompanhar
Na Zona do Euro, o dia começa às 04h00 com uma reunião de política não monetária do Banco Central Europeu (BCE). O encontro é conduzido pelo Conselho do BCE, composto por seis membros da diretoria executiva — incluindo a presidência — e pelos representantes dos bancos centrais nacionais dos países da Zona do Euro.
Embora não trate diretamente de juros, a reunião pode trazer sinalizações institucionais relevantes sobre o cenário econômico da região.
Na sequência, a S&P Global divulga às 05h as prévias dos PMIs de abril. O PMI industrial tem projeção de 50,7 pontos, ante 51,6 em março, indicador acompanhado de perto por fornecer um retrato atualizado do nível de atividade do setor manufatureiro no início do segundo trimestre.
Já o PMI de serviços é esperado em 49,8 (ante 50,2), enquanto o PMI composto anterior marcou 50,7. Em conjunto, os dados ajudam a avaliar se a recuperação recente da atividade ganha tração ou permanece frágil, com leituras acima do esperado tendendo a reforçar expectativas de crescimento moderado no bloco.
Ainda na Europa, os PMIs preliminares da França e Alemanha também ajudam a calibrar o sentimento regional. Na França, o PMI de serviços deve atingir 48,5 (ante 48,8), enquanto o industrial pode chegar a 49,5 (ante 50,0); o PMI composto anterior marcou 48,8 pontos. Já na Alemanha, a expectativa é do PMI industrial em 51,3 (ante 51,3) e PMI de serviços em 50,4 (ante 50,9); o PMI composto marcou 51,9 na medição anterior.
No Reino Unido, os PMIs preliminares também merecem atenção. O PMI industrial deve cair de 51,0 para 50,2, o de serviços deve recuar de 50,5 para 50,0; o composto marcou 50,3 na última divulgação.
No Brasil, o mercado acompanha às 09h a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), responsável por definir diretrizes do Sistema Financeiro Nacional. Embora o encontro não costume gerar decisões imediatas de política monetária, eventuais ajustes regulatórios podem repercutir nos mercados locais.
Nos Estados Unidos, o principal destaque da manhã fica com os dados semanais de seguro-desemprego divulgados pelo Departamento de Trabalho, às 09h30. Os pedidos iniciais têm projeção de 212 mil, após 207 mil na leitura anterior, enquanto os pedidos contínuos registraram 1,818 milhão. O indicador segue sendo monitorado como termômetro da resiliência do mercado de trabalho.
Ainda nos EUA, às 10h45, saem as prévias dos PMIs de abril. O PMI industrial tem expectativa de 52,5 pontos (ante 52,3), o PMI de serviços deve marcar 50,1 (ante 49,8); o PMI composto marcou anteriormente 50,3. O dado de serviços será particularmente relevante por sinalizar se o setor — principal motor da economia americana — mantém fôlego.
Ao longo da tarde, investidores acompanham também o balanço patrimonial do Federal Reserve (Fed), previsto para 17h30. Na última divulgação, o total estava em US$ 6,706 bilhões, indicador importante para avaliar o ritmo do processo de redução de liquidez via aperto quantitativo.
Entre outros destaques globais, os dados de inflação do Japão também entram no radar às 20h30. O núcleo do IPC anual tem projeção de 1,7%, ante 1,6%, enquanto o índice cheio registrou 1,3%. Os números são relevantes para calibrar expectativas sobre os próximos passos do banco central japonês.
Balanços corporativos
Na agenda de resultados corporativos desta quinta-feira, investidores devem acompanhar de perto os números de gigantes de tecnologia, finanças, energia, saúde e infraestrutura que divulgam o balanço do primeiro trimestre de 2026.
No caso da Intel (INTC), o foco recai sobre a evolução das margens e a expectativa da demanda por PCs e data centers, em meio à competição intensa no setor de chips. Na American Express (AXP), a atenção estará no volume total de gastos com cartões, a taxa de inadimplência e indicadores de qualidade de crédito por faixa de cliente.
Para a SAP (SAP), o mercado monitora o avanço da migração para a nuvem e a previsibilidade das receitas recorrentes. Já na Thermo Fisher Scientific (TMO), os relatórios trimestrais trazem a divisão de vendas por segmento de cliente (como laboratórios, farmacêuticas e biotecnologia), permitindo avaliar a dinâmica de demanda em cada área.
No setor elétrico, os números da NextEra Energy (NEE) tipicamente detalham o desempenho de geração regulada e de energia renovável, além do perfil de endividamento, o que permite ao mercado avaliar o impacto do nível de juros sobre o custo de financiamento dos projetos.
Para a Blackstone (BX), o mercado acompanha captação de novos fundos, reavaliação de ativos de private equity e imobiliário e fluxos de resgates.
Por fim, em nomes ligados ao ciclo global e infraestrutura, como Southern Copper (SCCO) e Union Pacific (UNP), o foco estará nos volumes transportados, custos operacionais e eventuais ajustes de projeções diante da dinâmica dos preços de commodities e da atividade industrial global.
Conflito no Oriente Médio
A prorrogação do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã reduz temporariamente o risco de escalada militar no Oriente Médio, mas mantém elevado o nível de incerteza para investidores — especialmente nos mercados de petróleo, câmbio e ativos de risco globais.
No curto prazo, três fatores concentram a atenção do mercado: Estreito de Ormuz, fragilidade do cessar-fogo e a fragmentação política em Teerã.
A situação no Estreito de Ormuz permanece sensível. A rota é estratégica para o transporte global de petróleo, e o tráfego ainda não voltou plenamente ao normal. Qualquer nova interrupção pode pressionar preços do barril e aumentar volatilidade inflacionária internacional.
A decisão do presidente Donald Trump de estender a trégua indica tentativa de manter espaço diplomático, enquanto negociações indiretas mediadas pelo Paquistão seguem incertas. A manutenção do bloqueio marítimo norte-americano, porém, sinaliza que a pressão militar permanece ativa.
A avaliação da Casa Branca de que o governo iraniano está “fragmentado” sugere maior dificuldade de negociação e eleva o risco de decisões não coordenadas por parte de atores internos, o que costuma ampliar a volatilidade regional.
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