Podemos tomar o Irã por completo 'amanhã de noite', diz Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã nesta segunda-feira, 6, durante uma entrevista coletiva, na Casa Branca.
"Estamos indo inacreditavelmente bem, bem em um nível que ninguém nunca viu antes. O país inteiro poderia ser tomado em uma noite, e esta noite pode ser amanhã", disse, em uma fala inicial.
No domingo, Trump disse que ordenaria ataques contra as usinas elétricas e pontes do Irã, a menos que Teerã aceitasse até a noite de terça-feira, 7, permitir o livre trânsito da navegação pelo Estreito de Ormuz,
Na manhã desta segunda, Trump havia dito que não está "preocupado" com a possibilidade de os Estados Unidos cometerem crimes de guerra caso ataquem instalações energéticas iranianas.
"Não estou preocupado com isso. O que é crime de guerra é permitir que um país doente, com líderes dementes, possua uma arma nuclear", disse o presidente a repórteres na Casa Branca.
Ele também havia dito que os Estados Unidos analisaram uma proposta de cessar-fogo de 45 dias na guerra com o Irã, uma medida que ele classificou como "um passo muito significativo" no conflito.
"É uma proposta significativa, é um passo significativo. Não é suficiente, mas é um passo muito significativo", disse Trump a repórteres na Casa Branca, acrescentando que os mediadores "estão negociando agora".
O Irã rejeitou uma proposta de trégua em sua guerra com Estados Unidos e Israel, insistindo "na necessidade de um fim definitivo para o conflito", informou a agência de notícias estatal Irna nesta segunda-feira.
"Podemos continuar a guerra enquanto as autoridades políticas considerarem oportuno", disse Mohammad Akraminia, porta-voz do Exército iraniano, à agência de notícias Isna.
A agência afirmou que a proposta que chegou a Teerã era "americana", embora, segundo relatos da mídia nos Estados Unidos, ela tenha se originado de países mediadores.
Pouco antes dessas declarações de Trump, a Casa Branca havia indicado que o presidente americano "não validou" a proposta, que era "uma entre muitas ideias" em discussão nas negociações.
Guerra dura mais de um mês
A Guerra de Israel e Estados Unidos contra o Irã já dura mais de um mês. Os ataques começaram na madrugada de 28 de fevereiro, um sábado, com a expectativa de derrubar o regime dos aiatolás e acabar com a capacidade militar e nuclear do Irã.
Trump esperava um desfecho rápido, como ocorreu na Venezuela em janeiro, mas a história foi outra. Mesmo com a morte do líder supremo, Ali Khamenei, além de várias autoridades, o regime não caiu e continuou capaz de fazer ataques a vários países da região, como os Emirados Árabes Unidos e o Qatar.
Além disso, o Irã conseguiu bloquear o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção global de petróleo, o que levou o barril de petróleo a superar US$ 100. Antes, o preço estava no patamar de US$ 60.
Apesar do discurso duro e dos ataques, Trump não conseguiu convencer o Irã a reabrir a passagem. O líder americano pediu ajuda aos aliados europeus da Otan, mas também ouviu um "não".
Efeitos domésticos
Para Trump, a guerra trouxe efeitos negativos na política interna. Pesquisa do Pew Research Center aponta que 61% dos americanos desaprovam a atuação do presidente na guerra, enquanto 37% aprovam, e 45% dizem que os militares americanos não estão indo bem no conflito.
Sua popularidade também caiu para 40% de aprovação, o menor nível desde o começo do mandato.
Outro efeito de peso contra Trump foi a alta dos combustíveis, que subiram nas bombas americanas e pressionam a inflação no país. O governo fez uma série de ações para baixar os preços, mas ainda não colheu resultados. Na semana passada, o preço médio da gasolina no país superou US$ 4 por galão, o maior valor em quatro anos.
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