Por menos de R$ 100 mil, Hyundai i20 chega com personalidade e conteúdo

Por Rodrigo Mora 16 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Por menos de R$ 100 mil, Hyundai i20 chega com personalidade e conteúdo

Uma fase gloriosa do mercado nacional foi a dos chamados compactos premium: encaixados entre os espartanos modelos de entrada e os mais sofisticados hatches médios, eram uma receita promissora de dirigibilidade, lista de equipamentos e conforto superiores por preço relativamente acessível.

Por certo tempo foi um sucesso, considerando-se a quantidade de representantes que a categoria já teve: Chevrolet Sonic, Citroën C3, Fiat Punto, Ford New Fiesta, Peugeot 208 e Volkswagen Polo. Desses, restaram apenas os dois últimos, que tempos depois passaram a ter a companhia da nova geração do Honda City. Sonic e C3 viraram outra coisa.

Ou seja, o segmento atravessava um marasmo até a Hyundai lançar o i20, que começa a ser vendido agora nas concessionárias da marca nas seguintes versões:

Posicionado entre o HB20 e o Creta, o i20 tem a lucidez de se identificar como hatchback, contrariando a tendência de se classificar tudo como SUV. Na prática, terá desde Renault Kardian e Chevrolet Sonic a Volkswagen Polo e Peugeot 208 como rivais.

H-Architecture

Embora já esteja na quarta geração e some mais de 1 milhão de unidades vendidas em mais de 60 mercados, o i20 estreia agora no Brasil como o terceiro produto nacional da Hyundai.

O hatch é construído sobre a terceira geração da plataforma modular K3, composta por ligas de aço de alta e ultra resistência e que, além de abrigar o novo sistema de ar-condicionado desenvolvido para o clima brasileiro, pode receber sistemas de propulsão eletrificados.

O i20 também inaugura no Brasil uma nova família de modelos para os próximos 10 anos e um novo conceito de design, o “Art of Steel”.

A descrição a seu respeito é uma viagem quase lisérgica: “o visual do modelo traz mais referências aos cortes retos característicos do trabalho artístico com o aço. O novo desenho fornece uma postura esportiva e moderna, focada na expressão de personalidade do condutor. Partes frontal, lateral e dianteira do carro foram projetadas de forma a reforçar a sensação de robustez e aerodinâmica, ao mesmo tempo em que transmitem uma imagem elegante e premium com a assinatura ‘H-Architecture’”.

Quanto às dimensões, o i20 se apresenta com 4,13 metros de comprimento, 1,49 m de altura, 1,78 m de largura e 2,58 m de distância entre-eixos. O porta-malas comporta 346 litros (VDA), que podem ser ampliados para 1.152 litros com o banco traseiro rebatido.

Para se ter uma ideia do tamanho do i20, o HB20 tem 4,01 m de comprimento, 1,47 m de altura, 1,72 m de largura e 2,53 m de entre-eixos, enquanto o Creta tem respectivamente 4,33 m, 1,62 m, 1,79 m e 2,61 m. No HB20, o porta-malas comporta 300 litros (930 l com o banco rebatido); no Creta são 422 litros.

De acordo com medições da Hyundai, a cabine entrega 917 mm de espaço para as pernas, 961 mm de espaço vertical para a cabeça e 1.391 mm de espaço “de ombros” para os três ocupantes do banco traseiro.

As cores disponíveis serão Branco Atlas, Preto Onix, Prata Brisk, Prata Sand, Azul Sapphire, Cinza Shadow, Cinza Silk e a inédita Cinza Lumina.

Veja os detalhes do novo Hyundai i20

Todas as configurações oferecem faróis de LED com acionamento automático, painel de instrumentos digital de 12,3 polegadas, espelhamentos Apple Car Play e Android Auto em fio, sistema Bluelink (carro conectado), partida por botão, volante com ajuste de altura e profundidade e seis airbags.

Elementos como frenagem autônoma, farol alto adaptativo e rodas de 17 polegadas vão sendo agregados conforme a hierarquia das versões até a topo de linha Ultimate, cujos diferenciais são os faróis de LED com projetores, a faixa de luz horizontal em LED, a central multimídia de 12,3 polegadas e a presença de itens como assistente de tráfego cruzado, assistente de ponto cego e alerta de abertura segura das portas.

O modelo também é o primeiro Hyundai brasileiro equipado com a tecnologia OTA (Over The Air), recurso que atualiza o software do carro remotamente, permitindo correções de segurança ou melhorias de desempenho por meio da interface da rede de dados embarcada no veículo, sem a necessidade de ir a uma concessionária.

Testamos o Hyundai i20

A Exame Casual teve breve contato com o hatch em uma pista fechada. A primeira boa impressão vem do porte e do estilo do i20, que para alguns pode não ser necessariamente bonito, mas tem personalidade visual indiscutível.

Há um quê de status orgânico vindo dos recortes sisudos, do ar minimalista e do tom aparentemente oitentista da traseira. Mas só o tempo dirá como o i20 vai envelhecer.

O interior também impressiona, quase sempre positivamente. Os bancos revestidos em couro têm uma combinação única de maciez e firmeza, o que combinado à excelente pegada (e bons ângulos de altura e profundidade) do volante garantem, ao menos para um motorista de 1,77 m de altura, ótima posição de comando. E isso também pelo cuidado com o apoio do pé esquerdo, muitas vezes negligenciado.

O painel de instrumentos seguiu o caminho cada vez mais comum da comunhão com a central multimídia, como se fosse uma só peça. As informações são organizadas com clareza e é fácil mudar o completo menu de dados.

Apenas os botões (felizmente) físicos abaixo da tela central talvez merecessem um polimento melhor, mais condizente com o agradável aspecto geral da cabine, que alcança uma atmosfera futurista sem recorrer a cafonices. Disposto na vertical, o comando do ar-condicionado pode causar estranheza, mas nos pareceu até mais funcional.

Para completar o rol de qualidades, o i20 ainda anda bem — ao menos na versão experimentada, a Ultimate. Seu motor é o conhecido e competente 1.0 tricilíndrico Kappa, de 115 cv e 17,5 kgfm de torque, sempre acoplado à transmissão automática de seis velocidades. O entrosamento da dupla encontrado nos outros modelos se repetiu no estreante.

Definitivamente, nada de marasmo.

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