Por que a ação da C&A sobe mais de 10% mesmo com queda de lucro no 1º tri

Por Clara Assunção 6 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Por que a ação da C&A sobe mais de 10% mesmo com queda de lucro no 1º tri

Após um fim de 2025 que acendeu alertas no mercado, a C&A (CEAB3) voltou ao centro das atenções com seu balanço do primeiro trimestre de 2026, mas, desta vez, a reação foi positiva. Mesmo com a queda no lucro líquido, os resultados trouxeram sinais de melhora na operação, o que tem levado as ações da varejista a liderarem as altas do Ibovespa nesta quarta-feira, 6.

No resultado financeiro divulgado na noite desta terça, 5, após o fechamento do mercado, a companhia reportou um lucro líquido de R$ 1,66 milhão entre janeiro e março, uma queda de 59,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

Ainda assim, o resultado veio próximo das expectativas do mercado e foi ofuscado por sinais considerados mais relevantes pelos analistas: a retomada das vendas de vestuário e a melhora na qualidade das margens que provocaram uma reação desde a abertura das negociações, às 10h.

Por volta das 12h31, os papéis da varejista subiam 12,03%, cotados a R$ 12,88, a maior alta do índice no dia que, no mesmo horário, subia 0,67%, aos 188.014 pontos. O movimento ocorre após um início de ano pressionado, já que até o fechamento da véspera, as ações acumulavam queda de 10,11% em 2026.

Na visão do mercado, este primeiro trimestre do ano ajudou a empresa a "virar a página" de um fim de 2025 mais fraco. No quarto trimestre, período crucial para o varejo, a empresa enfrentou um ambiente adverso, marcado por "temperaturas atípicas, ambiente promocional mais intenso e ruptura em produtos de entrada", segundo a própria C&A.

O resultado foi uma estagnação das vendas e queda no SSS, o indicador de vendas em mesmas lojas, levantando dúvidas sobre a execução da operação. Mas os números divulgado nesta terça, porém, aliviaram essas preocupações.

Mercado vê "retomada"

A receita líquida ficou praticamente estável no primeiro trimestre, em R$ 1,62 bilhão, alta de 0,5% na comparação anual. Já o SSS de vestuário cresceu 4,8%, revertendo o desempenho negativo do trimestre anterior, ainda que abaixo dos 15% registrados um ano antes.

Para o banco Safra, "a recuperação nas vendas em mesmas lojas (SSS) do segmento de Vestuário estabelece um tom mais construtivo para os próximos trimestres". O banco afirma ainda que o resultado reforça a visão de que "essas pressões não foram estruturais", após o revés observado no fim de 2025.

A melhora também apareceu nas margens da varejista. O lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização, o Ebitda, somou R$ 239 milhões, com margem de 14,8%, uma leve contração frente aos 15,6% de um ano antes. Ainda assim, a evolução da margem bruta, impulsionada por preços mais disciplinados e melhor gestão de mix, foi um dos destaques positivos do trimestre.

Na leitura do Itaú BBA, o período marca uma inflexão clara na operação. Em relatório intitulado "Retomada", o banco afirma que "o 1T26 põe fim às preocupações com o desempenho que se seguiram a um 4T25 abaixo do esperado, com a execução se normalizando e o impulso operacional apresentando uma inflexão visível".

"A mensagem central é a de controle recuperado: as receitas aceleraram sequencialmente, a margem bruta surpreendeu decisivamente e a alocação de capital tornou-se abertamente favorável aos acionistas com o programa de recompra de ações", afirmou a instituição.

Em meio à divulgação dos resultados financeiros, a C&A também anunciou que seu conselho de administração aprovou o 4° programa de recompra de ações. O programa autoriza a aquisição de até 10 milhões de ações ordinárias, que representam 4,9% dos papeis em circulação, e tem vigência até 8 de novembro de 2027, segundo comunicado.

Além da margem bruta mais forte no setor de vestuário, do mix online "estruturalmente diluidor" e da alta do indicador de vendas em mesma lojas em vestuário, o Itaú BBA também destacou de forma positiva o Ebitda, que superou as estimativas em 11,5%, reforçando que a operação veio melhor do que o lucro final sugere.

Ação da C&A está "barata", dizem bancos

O banco ressaltou, contudo, que as despesas administrativas vieram mais altas que o esperado,  de 7%, o que ainda pressiona o resultado. O Itaú aponta que a ação está barata, com P/L de cerca de 7 vezes, mas antecipa que o mercado vai olhar principalmente para o SSS do 2º trimestre, que será mais desafiador dada a base de comparação mais forte.

Já o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) vê uma "recuperação gradual e bem-vinda" nas vendas de vestuário, após a forte desaceleração anterior. Segundo o banco em relatório, o desempenho reflete "uma estratégia de sortimento aprimorada combinada com uma política de preços dinâmica bem-sucedida".

Além da melhora no core business, analistas também chamaram atenção para a resiliência da divisão financeira. O Safra destacou que o segmento apresentou lucro de R$ 23 milhões, "surpreendentemente positivo", mesmo com queda de receita, indicando avanço na qualidade do crédito e maior controle de custos.

A avaliação predominante é de que o trimestre "encerra o debate" sobre a natureza dos problemas recentes. Para o Itaú BBA, "mais do que superar as expectativas, [o resultado mostrou] qualidade", enquanto o Safra vê "um ponto de entrada convincente" para as ações nos níveis atuais.

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