Por que a Allianz rescindiu o naming rights da arena do Palmeiras
A Allianz Seguros anunciou uma mudança na estratégia de marketing no país e formalizou o fim do contrato de naming rights do Allianz Parque, encerrando uma parceria de 13 anos com a WTorre. A decisão marca a transição de um modelo concentrado em um único ativo para uma atuação mais distribuída em todo o território nacional.
O contrato original com a arena do Palmeiras foi firmado em 2014 para um período de 20 anos, até 2034, no valor total de R$ 300 milhões, com reajustes anuais. O valor atualizado do acordo estava em torno de R$ 25 milhões para 2026. Com a rescisão antecipada, a WTorre já assinou contrato com o Nubank para assumir os naming rights do estádio.
O novo nome da arena ainda não foi informado. O acordo com o banco prevê pagamento anual de US$ 10 milhões, aproximadamente R$ 51 milhões, em vínculo que se estenderá até 2034.
Do lado da Allianz, o encerramento é enquadrado como decisão estratégica. "Somos profundamente gratos por tudo o que o Allianz Parque nos proporcionou e reconhecemos a importância do investimento para a consolidação da marca no país", diz Eduard Folch, CEO da seguradora.
"Vivemos um período de crescimento acelerado e expansão territorial e decidimos encerrar esse ciclo para iniciar uma nova fase, com foco em ações que nos aproximem ainda mais de clientes, corretores, parceiros e a sociedade de Norte a Sul", complementa o executivo.
Nova estratégia
A seguradora está em um ciclo de expansão. Em 2025, a Allianz Brasil registrou faturamento de cerca de R$ 12 bilhões, crescimento de 23% sobre o ano anterior — mais de 15 pontos percentuais acima do mercado. A meta da companhia é dobrar o faturamento e triplicar o lucro até 2027, com base nos resultados de 2023.
Com a saída do Allianz Parque, o investimento antes concentrado no naming rights passa a ser distribuído em mídia tradicional e digital, patrocínios a atletas olímpicos e paralímpicos, e ações de experiência do cliente.
Na área cultural, a companhia anuncia o patrocínio ao Coala Festival 2026. A 12ª edição do evento será realizada nos dias 12 e 13 de setembro, no Memorial da América Latina, em São Paulo, seguida de mais cinco eventos em capitais brasileiras.
"A maturidade que a Allianz alcançou no Brasil nos permite avançar na visibilidade e relevância da marca. O foco são ações que gerem experiências e conexão com os stakeholders, indo além da presença institucional", diz Maria Clara Ramos, diretora executiva de Transformação, Estratégia e Marketing.
O legado do naming rights
Inaugurado em 2014, o Allianz Parque um dos primeiros grandes cases de naming rights em arena multiuso no Brasil e abriu caminho para contratos semelhantes em outras regiões do país. Em 2025, a arena recebeu 32 jogos, 27 shows e 200 eventos corporativos, com mais de 2 milhões de pessoas ao longo do ano.
"Celebramos a parceria de 13 anos com a Allianz Seguros, um marco de pioneirismo no mercado brasileiro de naming rights", diz Marcelo Frazão, vice-presidente da WTorre Entretenimento. "Durante este período, trabalhamos juntos de forma exitosa na construção de um case referência de arena multiuso da América Latina."
O novo contrato com o Nubank terá duração de oito anos, com início em 2026 e vigência até 2034, com pagamentos anuais na casa de R$ 50 milhões. Ainda não foi definido se o nome do estádio será "Nubank Arena" ou "Nu Stadium" — marca que o banco digital já utiliza nos Estados Unidos, onde fechou acordo de naming rights com o Inter Miami, time de Lionel Messi.
Nubank assume e abre votação para novo nome da arena
O banco digital adquiriu os naming rights em parceria de longo prazo com a WTorre e abrirá votação popular entre 10 e 30 de abril no site nubank.com.br/vote para definir o novo nome. As três opções são: Nubank Parque, Nubank Arena ou Parque Nubank. Quem participar poderá ter o próprio nome exibido na arena durante o período de transição — uma referência ao fato de que o estádio do Palmeiras nunca levou o nome de uma pessoa. O resultado será revelado em maio.
A transformação visual completa, com novas cores e marca, está prevista para o fim de julho, junto com a inauguração do Nubank Ultravioleta Lounge, espaço com vista privilegiada para a arena, e do Portão Nubank Ultravioleta, que dará acesso aos camarotes.
Em mais de dez anos de operação, a arena recebeu 17,7 milhões de pessoas em 2.339 eventos — sendo 8,6 milhões em jogos e 8,1 milhões em shows. Em 2025, foi o principal palco de shows da América do Sul, com 33 eventos e 1,1 milhão de espectadores. Para os clientes do Nubank, a empresa prevê ativações e benefícios integrados à jornada do fã na arena.
"Levar nossa marca para um espaço esportivo e cultural dessa relevância reafirma nosso compromisso com o país onde tudo começou e nos aproxima ainda mais das paixões dos brasileiros", afirma Livia Chanes, CEO do Nubank Brasil.
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