Ibovespa fecha em alta de 0,52%, mas longe da máxima; dólar fica estável
O Ibovespa perdeu força ao longo da tarde e encerrou a sessão desta segunda-feira, 30, em alta moderada, após chegar a subir mais de 1% no início do dia. O índice avançou 0,53%, aos 182.514 pontos, fechando mais próximo da mínima de 181.559 pontos do que da máxima de 184.414 pontos, em um pregão ainda marcado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
No câmbio, o dólar encerrou praticamente estável com leve alta de 0,12%, cotado a R$ 5,248, após sessão volátil em que oscilou entre leves quedas e altas.
De acordo com Gustavo Trotta, especialista e sócio da Valor Investimentos, o cenário positivo foi sustentado principalmente pela forte entrada de capital estrangeiro. O mercado, no entanto, acabou perdendo fôlego ao longo do dia por conta de fatores externos, em especial, o aumento das tensões no Oriente Médio, com notícias sobre um possível ataque ao setor energético do Irã.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda que o país pode destruir poços de petróleo, usinas de energia e a ilha de Kharg, principal polo exportador do Irã, caso o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa 20% do petróleo produzido pelo globo, não seja reaberto.
Em paralelo, o republicano declarou que sua opção preferida seria “tomar o petróleo” iraniano, em referência à atuação americana na Venezuela. O cenário se agravou com o envolvimento direto dos houthis do Iêmen, que anunciaram ataques com mísseis contra alvos militares israelenses, ampliando o risco de que o conflito se espalhe por rotas estratégicas de energia.
O aumento das tensões elevou o preço do petróleo de forma brusca e aumentou a aversão ao risco global.
O Brent com vencimento em junho avançou 1,96%, a US$ 107,39 por barril. Já a referência nos Estados Unidos, o WTI, com contrato para maio subiu 3,25%, encerrando a US$ 102,88 por barril, marcando o primeiro fechamento acima de US$ 100 desde julho de 2022 e renovando as máximas pela segunda sessão consecutiva.
"Esse cenário acabou pressionando o petróleo, com uma alta brusca no preço do barril, o que aumentou a cautela dos investidores e fez a bolsa perder um pouco de força ao longo do dia", afirmou Trotta.
Yduqs, Weg e petroleiras lideram
Diante da alta do petróleo, as maiores altas ficaram concentradas no grupo das petroleiras. As ações da PetroRecôncavo (RECV3) avançaram 3,39%, assim como Brava Energia (BRAV3), que avançou 3,02%.
A maior alta do dia, porém, ficou com Yduqs (YDUQ3), que avamçou 3,76%; seguida por Weg (WEGE3), com alta de 3,46%. "A Weg surfa muito mais o movimento cambial com um dólar mais fraco, que também reflete o aumento do risco nos Estados Unidos e acaba favorecendo a empresa", afirmou Nicolas Gass, estrategista de investimentos e sócio da GT Capital.
Por outro lado, o lado negativo da bolsa ficou ligado aos juros. Empresas como Vamos, C&A e Renner recuaram mais de 3%, as maiores quedas do dia, justamente por serem mais sensíveis à política monetária, segundo Gass.
"E aqui entra um ponto importante com as falas recentes de Gabriel Galípolo que indicam uma visão mais cautelosa do Banco Central. A comparação com um 'transatlântico' em vez de um 'jet ski' revela que a desaceleração econômica deve ser mais lenta e gradual do que o mercado esperava", afirmou o estrategista.
"Isso muda completamente o jogo. A expectativa de um corte mais agressivo de juros perde força, e o que antes era projetado como uma redução de 0,5 ponto em abril agora parece mais próximo de 0,25 ponto. Além disso, o cenário global mais turbulento e potencialmente inflacionário reforça essa postura mais conservadora", acrescentou.
Bolsas de NY fecham mistas
Já as bolsas de Nova York fecharam sem direção única nesta segunda, em meio a uma sessão marcada por forte volatilidade e cautela dos investidores diante da escalada das tensões envolvendo o Irã.
O setor de tecnologia liderou as perdas do dia, pressionando os principais índices, enquanto o mercado também repercutiu declarações do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, que indicou não haver pressa para ajustes na política monetária diante das incertezas geopolíticas. "A política monetária está em uma boa posição para aguardar e ver como a situação atual se desenrola", afirmou.
No fechamento, o Dow Jones avançou ligeiramente 0,11%, enquanto o S&P 500 recuou 0,39%, e o Nasdaq caiu 0,73%. Entre os destaques negativos do dia estiveram grandes empresas de tecnologia, como Micron (-9,88%), Intel (-4,50%), AMD (-2,95%), Tesla (-1,81%) e Nvidia (-1,40%), refletindo a maior aversão ao risco e a rotação de investidores para ativos considerados mais defensivos.
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