Por que a Colombo, de máquinas agrícolas, aposta na pimenta para crescer no agro
A Indústrias Colombo, fabricante brasileira de máquinas agrícolas, decidiu apostar em um novo nicho para sustentar seu crescimento: a pimenta-do-reino. A estratégia surge em um momento de maior pressão sobre o agronegócio, com juros elevados, tensões geopolíticas e margens mais apertadas para o produtor.
Em 2025, a companhia registrou faturamento de R$ 601 milhões, alta de 13% em relação a 2024. Para 2026, a expectativa é de crescimento mais moderado, de 5%, refletindo um cenário ainda desafiador para o setor.
A entrada na cultura da pimenta não é um movimento isolado, mas parte de uma estratégia mais ampla de diversificação. “Quando a gente lança um produto para uma nova cultura, como é o caso da pimenta-do-reino, a gente busca crescimento olhando para diversificar”, afirma Neto Colombo, COO da empresa
Para isso, a empresa vai produzir as primeiras 50 recolhedoras neste ano. O cultivo, tradicionalmente manual, está concentrado no Espírito Santo, Pará e Bahia, os três maiores produtores da cultura. Entre os capixabas, a Colombo já é líder em mecanização do café conilon.
No ano passado, o Espírito Santo respondeu por 69% das vendas internacionais do produto. Em 2025, as exportações do estado cresceram 113% em valor, atingindo R$ 1,82 bilhão. Dentro do agro, a pimenta ficou atrás apenas do café (US$ 1,79 bilhão) e da celulose (US$ 862,6 milhões).
A Colombo construiu sua trajetória focando em culturas consideradas de nicho, como amendoim, café e feijão — mercados com dinâmicas próprias e menos dependentes das oscilações de commodities como soja e milho.
Segundo o executivo, a lógica é reduzir a exposição a ciclos negativos específicos. “Isso traz para a gente uma diversificação de receita interessante, porque eu não estou tão exposto a uma cultura só”, diz.
A pimenta-do-reino entra justamente nesse contexto, como mais uma frente capaz de diluir riscos e abrir novas avenidas de crescimento. Cerca de 90% da produção de pimenta no Brasil é destinada à exportação.
Diversificação no agro
Diferentemente de apostas puramente estratégicas, o movimento em direção à pimenta nasceu de uma demanda concreta dos produtores, especialmente no Espírito Santo, principal polo da cultura no país. A principal dor estava na colheita, ainda feita de forma manual.
“Muitos produtores de café conilon também produzem pimenta e nos procuraram porque a colheita é 100% manual”, afirma Colombo .
A empresa levou mais de três anos desenvolvendo uma solução mecanizada para o processo. A máquina criada recolhe os cachos, faz a trilha e reduz etapas logísticas, aumentando a eficiência da operação.
A expectativa é de que a tecnologia permita um ganho de até 20% na produtividade, com redução de até metade da mão de obra necessária.
Em um ambiente de crédito caro e maior cautela nos investimentos, a Colombo tem apostado na tecnologia como forma de destravar demanda.
“Se a gente não consegue controlar a variável juros, a nossa alternativa é focar em trazer valor na operação do cliente”, diz o COO .
Além da pimenta, a empresa também investe em novas linhas de transmissão e equipamentos voltados a outras culturas, buscando ampliar seu portfólio e reduzir a dependência de importações — um movimento que também dialoga com as tensões geopolíticas globais.
A nova colhedora de pimenta ainda será testada em projetos-piloto, com impacto financeiro mais relevante esperado apenas a partir de 2028, diz o COO.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: