Por que a sua encomenda está chegando mais rápido? Uma IA está por trás

Por Guilherme Santiago 12 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Por que a sua encomenda está chegando mais rápido? Uma IA está por trás

Se a sua última compra online chegou antes do esperado, não foi sorte. Empresas de entrega em diferentes partes do mundo estão adotando softwares de inteligência artificial que recalculam as rotas em tempo real. O resultado é uma operação mais rápida, com menos viagens e menos falhas.

Um dos casos mais visíveis dessa mudança aconteceu nos Estados Unidos. Até maio de 2025, as vans da Net Zero Logistics, empresa de entrega de último quilômetro sediada em Connecticut, percorriam entre 30 e 40 rotas por dia. Seis meses depois, esse número caiu para algo entre 16 e 20.

"Parece que isso está reduzindo o número de horas na estrada, tornando cada rota mais eficiente", afirmou Mark Chiusano, CEO e proprietário da Net Zero, em entrevista ao Business Insider.

Por que o sistema antigo não dava mais conta

O software de gestão de transportes que a Net Zero usava antes não conseguia sugerir rotas otimizadas. O problema não é exclusivo da empresa.

Segundo Willem-Jan van Hoeve, professor de pesquisa operacional da Tepper School of Business, da Universidade Carnegie Mellon, o desafio de calcular rotas eficientes acompanha o comércio há séculos — desde os antigos caixeiros-viajantes, que buscavam o trajeto mais curto entre cidades para vender mercadorias.

Hoje, no entanto, o problema mudou de natureza. "Observe o ambiente urbano, com o horário de pico, a entrada e saída das escolas e os eventos. Até mesmo a distância depende muito do horário da viagem", disse van Hoeve.

A abordagem clássica, de priorizar a menor distância, não atende mais às entregas atuais, em que clientes esperam receber encomendas em horários específicos.

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A startup que mudou o jogo

A Finmile, software adotado pela Net Zero, foi fundada em 2022 por Rich Pleeth, com operação inicial em entregas feitas por bicicletas de carga elétricas e vans elétricas. Em 2024, a empresa redirecionou o foco para o desenvolvimento do software de otimização de rotas.

"Percebi que a entrega é o ponto fraco do e-commerce", disse Pleeth. O diferencial, segundo o executivo, está no comportamento ativo da IA.

"A IA não fica parada em um painel esperando por um humano. Ela toma decisões ativamente, reatribuindo paradas quando um motorista se atrasa, inserindo devoluções em rotas em andamento, prevendo falhas de entrega antes que elas aconteçam e acionando comunicações com o cliente automaticamente", afirmou.

Como a IA muda a rotina dos motoristas

Os sistemas legados de roteamento geralmente adicionam IA sobre o código existente, o que, segundo Stuart Hyden, presidente e COO da Net Zero, "pode se tornar difícil de gerenciar". No caso do Finmile, a IA é base da operação e permite que equipes sem conhecimento técnico criem relatórios personalizados ou alterem rotas.

A mudança também alcançou o processo de triagem dos pacotes — etapa que tradicionalmente começa depois das 3h da manhã, quando os motoristas recebem as informações de entrega do dia.

No modelo antigo, os motoristas separavam pacotes por área geográfica, em um processo lento e manual. Com o roteamento dinâmico, segundo Hyden, o motorista apenas escaneia o pacote e o sistema indica a rota correta. "Isso nos ajuda a reduzir os custos com mão de obra na triagem", afirmou.

Outra mudança é que os motoristas não precisam mais separar encomendas por ordem de entrega. Os pacotes vão para caixas designadas e, a cada parada, o software informa o número da caixa correspondente. Segundo Hyden, vasculhar uma caixa com 30 a 40 pacotes é mais rápido do que organizar os itens por parada todas as madrugadas antes de sair para a estrada.

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Por que sua encomenda erra menos de porta

Desde a adoção do Finmile, segundo Chiusano, as rotas tornaram-se progressivamente mais eficientes e os motoristas passaram a realizar mais entregas. A tecnologia também reduziu o número de entregas não concluídas, já que os motoristas acessam as coordenadas exatas de cada destino.

Além do georreferenciamento, o sistema utiliza o barômetro do celular dos motoristas para monitorar passos e detectar se eles estão subindo escadas ou entregando no térreo — informação que alimenta o algoritmo automaticamente, segundo Pleeth.

Como acontece com motoristas da Amazon, os usuários do Finmile também fotografam o local de entrega, incluindo número e porta. O software mantém um banco de dados das cores das portas, criando uma camada extra de verificação contra entregas incorretas. O conjunto dessas validações automatizadas, segundo Pleeth, resultou em menos reclamações de clientes.

Despachantes e motoristas acompanham desempenho em tempo real: número de pedidos entregues, tempo médio por entrega e tempo de permanência em cada local. Para Hyden, esse acesso aumenta a transparência nas conversas internas sobre produtividade.

Centros de distribuição enfrentam mudanças com a adoção de roteamento dinâmico por IA: a triagem manual dos pacotes, feita de madrugada, está sendo reduzida (Freepik)

"O setor precisa entrar na onda"

Para Chiusano, o recado é claro. Empresas que não adotam otimização dinâmica de rotas precisam reagir rapidamente. "O mundo da logística não é o mesmo de 10 anos atrás, nem mesmo de dois anos atrás", afirmou.

A previsão sugere que o que aconteceu na Net Zero — uma redução de quase 50% no número de rotas diárias em poucos meses — pode se tornar o novo padrão competitivo do setor de entregas, conforme softwares baseados em IA passam a ser adotados em escala. Para o consumidor final, isso significa um cenário em que receber encomendas mais rápido, com menos erros, deixa de ser exceção e passa a ser regra.

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