Por que ações do Banco do Brasil sobem mesmo com queda de 40% no lucro
O Banco do Brasil (BBAS3) teve um quarto trimestre de 2025 fraco, mas, apesar disso, as ações chegaram a subir mais de 7% no início do pregão desta quinta-feira, 12.
Segundo os analistas do Itaú BBA e do BTG Pactual, os resultados refletem um trimestre melhor que o esperado, mas ainda marcado por desafios estruturais, principalmente na qualidade do crédito e nos custos de provisões. O lucro da instituição financeira caiu 40% para R$ 5,7 bilhões no trimestre, mas ainda assim ficou "menos pior" do que o mercado esperava, o que deu fôlego ao ativo.
Olhando no detalhe, porém, a qualidade do lucro não convence tanto. O BB contou com um efeito tributário positivo na linha final do balanço. É como aquela restituição de imposto de renda que aumenta o orçamento, mas somente naquele mês que o tributo é devolvido. E não é um valor gerado pela operação do banco em si.
Para os analistas, a recuperação do banco deve ser gradual, e a visibilidade sobre a normalização do crédito no agronegócio e no segmento de empresas segue limitada.
Apesar dos sinais positivos, as provisões continuam pressionando o banco. No trimestre, somaram R$ 18 bilhões, afetadas pela inadimplência no agronegócio, empresas e pessoas físicas. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,2%, refletindo casos específicos e aumento nos NPLs do crédito agrícola.
Para 2026, o Banco do Brasil projeta crescimento mais lento da carteira de crédito, entre 0,5% e 4,5%, e lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, em linha com as expectativas do mercado.
As despesas com provisões devem permanecer elevadas, entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões, e as tarifas devem crescer de 2% a 6%, enquanto as despesas operacionais devem subir entre 5% e 9%.
O resultado mostra sinais de recuperação, mas ainda há desafios estruturais. A qualidade do crédito, especialmente no agronegócio, permanece sob pressão, e as despesas administrativas devem seguir altas em 2026.
Mesmo com lucro acima do esperado, a instituição enfrenta uma combinação de resultados positivos e riscos que indicam que a recuperação será gradual.
No entanto, o desempenho acima do esperado fez com que as ações do Banco do Brasil operassem em alta nesta manhã, beneficiadas pela melhora sequencial do lucro e pela superação das estimativas do mercado.
O lucro líquido ajustado do quarto trimestre de 2025 foi de R$ 5,7 bilhões, alta de 52% em relação ao trimestre anterior, mas ainda 40% menor do que o registrado em 2024.
O resultado superou as estimativas de analistas em cerca de 25%, graças a fatores extraordinários, como uma taxa de imposto positiva e ganhos de equivalência patrimonial. No ano, o lucro líquido ajustado ficou em R$ 20,7 bilhões, queda de 45% em relação a 2024, refletindo principalmente o aumento das provisões para perdas de crédito.
A receita do banco, medida pela margem financeira líquida (NII) e receitas de tarifas, também apresentou crescimento sequencial. A NII foi de R$ 27,8 bilhões no trimestre, 5,4% acima do terceiro trimestre de 2025, impulsionada por menores custos de captação e resultados da Banco Patagonia.
Já as receitas com tarifas permaneceram estáveis em R$ 8,8 bilhões, com destaque para cartões de crédito e gestão de consórcios.
A carteira de crédito cresceu levemente, 1,4% em relação ao trimestre anterior e 2,5% no ano, impulsionada por crédito consignado e cartões de crédito para pessoas físicas. Por outro lado, o segmento de empresas permaneceu praticamente estável, enquanto o agronegócio apresentou crescimento moderado, apoiado pelo programa BB Regulariza Agro.
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