Por que as ações da dona da Tortuga caíram após venda de 2,2 bilhões de euros

Por César H. S. Rezende 10 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Por que as ações da dona da Tortuga caíram após venda de 2,2 bilhões de euros

As ações da DSM-Firmenich caíram 4,79% nesta segunda-feira, 9, após a companhia anunciar a aguardada venda de sua unidade de Nutrição e Saúde Animal (ANH) para a gestora de private equity CVC, em um negócio avaliado em 2,2 bilhões de euros.

A empresa suíço-holandesa, especializada em nutrição, saúde e beleza, foi criada a partir da fusão entre a DSM e a Firmenich. No Brasil, é dona da Tortuga, marca de suplementos minerais e aditivos nutricionais para animais.

A notícia foi recebida com frustração pelo mercado. Segundo investidores, o retorno de capital ficou abaixo das expectativas, e o anúncio reforçou preocupações sobre o crescimento do core business da companhia.

Pelo acordo, a DSM-Firmenich manterá 20% de participação na nova empresa, em parceria com a CVC, e lançará uma recompra de ações no valor de 500 milhões de euros. A operação inclui ainda um pagamento adicional de até 500 milhões de euros, condicionado ao desempenho futuro da unidade vendida.

A venda marca mais um capítulo do processo de reestruturação iniciado após a fusão entre DSM e Firmenich, anunciada em 2022 e concluída em 2023. Desde então, a companhia tem revisto seu portfólio com foco em especialização e rentabilidade.

A transação sucede à venda das atividades de Enzimas para Alimentação Animal para a Novonesis, realizada em 2025 por 1,5 bilhão de euros, e representa o passo final da DSM-Firmenich na transformação de seu portfólio, agora totalmente voltado ao consumidor.

“Evoluímos agora para um negócio de consumo líder, focado em nutrição, saúde e beleza. Hoje marca o passo final dessa jornada, e esta transação reflete nosso compromisso em acelerar o crescimento e criar valor de longo prazo”, afirmou o CEO Dimitri de Vreeze, em nota.

Com as duas transações, o valor total das vendas da divisão ANH chega a 3,7 bilhões de euros.

O mercado já especulava sobre o destino da unidade desde o ano passado. No relatório do terceiro trimestre, divulgado em outubro de 2025, de Vreeze atualizou as projeções da companhia, citando um "efeito cambial negativo estimado em 90 milhões de euros" e uma "contribuição menor de cerca de 50 milhões de euros" vinda das vitaminas da ANH.

Em razão desses fatores, a empresa passou a estimar um EBITDA ajustado de aproximadamente 2,3 bilhões de euros para o grupo em 2025.

O balanço completo da DSM-Firmenich será divulgado na próxima quinta-feira, dia 12.

A reação do mercado

Segundo o Investing, os analistas do Barclays afirmaram que o acordo representa “um encerramento há muito necessário” de um processo de separação complexo. No entanto, destacaram que o valor da recompra ficou abaixo das expectativas, o que deve pressionar o desempenho das ações no curto prazo.

“O valor menor reflete o fato de que a dívida está saindo do perímetro junto com a ANH”, escreveram analistas do banco em nota. Eles também alertaram que a diluição do lucro por ação pode levar mais tempo do que o previsto para ser revertida.

A DSM-Firmenich informou que espera receber 1,2 bilhão de euros no fechamento do negócio, considerando os recursos em caixa e a dívida transferida com a operação. A empresa também registrará uma redução contábil de 1,9 bilhão de euros em 2025.

Segundo a companhia, a transação reflete uma avaliação de cerca de sete vezes o EBITDA normalizado — patamar considerado alinhado com estimativas recentes do mercado.

A divisão de nutrição animal da DSM-Firmenich é uma das mais tradicionais do setor, com atuação global em ingredientes funcionais, aditivos, vitaminas e soluções personalizadas para aves, suínos, ruminantes e aquicultura.

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