Por que as ações da Vale (VALE3) caem hoje e recuam quase 8% na semana
Empresa de maior peso do Ibovespa, as ações da Vale (VALE3) operam em forte queda e contribuem para a baixa do índice nos negócios desta quinta-feira. Os papéis descolam do desempenho do minério de ferro. Na madrugada, os preços da matéria-prima nas bolsas asiáticas tiveram alta relevante com a sinalização do governo chinês para novas medidas de estímulo à economia do país. A ação da companhia, por outro lado, reflete o sentimento de aversão ao risco gerado pelos conflitos no Oriente Médio e que voltam a pesar com mais força sobre o mercado financeiro hoje.
Por volta das 13h45 (horário de Brasília), os papéis da mineradora recuavam 3,1%, para R$ 81,52. Nesse preço, a ação acumula queda de 7,85% esta semana. No ano, o saldo de VALE3 segue positivo, com alta de 13,24%.
A queda das ações da Vale também ocorre em meio a um ambiente externo mais incerto para a companhia. A mineradora informou que está acompanhando de perto os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, uma região considerada estratégica para sua operação logística e para os planos de expansão ligados à cadeia do minério de ferro e do aço de baixo carbono.
Em resposta a questionamentos da Reuters, a empresa afirmou que decidiu suspender temporariamente as viagens de funcionários para a região enquanto monitora os riscos associados à escalada das tensões envolvendo o Irã e seus possíveis efeitos sobre a logística e a segurança de operações locais.
Um dos principais ativos da companhia no Golfo é o complexo de Sohar, em Omã, que reúne uma planta de pelotização e um centro de distribuição de minério de ferro. O hub logístico tem capacidade para movimentar cerca de 40 milhões de toneladas de produtos por ano, enquanto a pelotizadora instalada no local pode produzir até 9 milhões de toneladas anuais.
A localização é considerada estratégica pela empresa por permitir acesso facilitado a mercados consumidores da Europa, da Ásia e da África, além de contar com um porto de águas profundas apto a receber navios de grande porte, o que amplia a eficiência na distribuição internacional do minério produzido no Brasil.
Nos últimos anos, a Vale também vinha ampliando sua presença na região com estudos para implantação de “Mega Hubs” de produção de aço de baixo carbono em países como Arábia Saudita, Omã e Emirados Árabes Unidos, iniciativas voltadas a aproximar a produção de aço dos grandes mercados consumidores e reduzir emissões ao longo da cadeia.
Além das preocupações geopolíticas, investidores também repercutem um novo capítulo no campo jurídico envolvendo a companhia. O Ministério Público Federal (MPF) no Pará apresentou uma ação civil pública contra a Vale e o Ibama relacionada à operação da Estrada de Ferro Carajás.
A ação questiona a duplicação de um trecho da ferrovia que atravessa a terra indígena Mãe Maria, no município de Bom Jesus do Tocantins (PA). Segundo os procuradores, a operação da via duplicada teria ocorrido sem licença de operação emitida pelo Ibama e sem consulta prévia às comunidades indígenas potencialmente afetadas.
O MPF pede a suspensão do funcionamento desse trecho da ferrovia e solicita ainda que a mineradora seja condenada ao pagamento de indenização por danos morais coletivos.
Em comunicado ao mercado, a Vale afirmou que já apresentou manifestação no processo e que irá exercer seu direito de defesa no decorrer da tramitação judicial. A companhia também informou que, neste momento, o caso não representa impacto operacional relevante para suas atividades.
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