Por que dormir pouco — ou muito — pode acelerar o envelhecimento do corpo

Por Maria Eduarda Lameza 22 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Por que dormir pouco — ou muito — pode acelerar o envelhecimento do corpo

Dormir virou uma conta que muita gente tenta fechar no improviso. Há quem corte horas de descanso para encaixar na rotina. Há também quem compense com longos períodos na cama. Um estudo publicado pela revista Nature, o principal periódico científico do mundo, indica que o problema pode aparecer nos dois extremos. A análise associou tanto o sono curto, abaixo de 6 horas, quanto o sono longo, acima de 8 horas, a sinais de envelhecimento biológico acelerado no corpo.

A pesquisa usou dados do UK Biobank, um estudo de longo prazo que começou em 2006 no Reino Unido e monitora as contribuições da predisposição genética e da exposição ambiental por meio de um extenso banco biológico.

Os cientistas relacionaram a duração usual de sono autorrelatada a 23 relógios biológicos. Esses marcadores estimam a diferença entre a idade prevista por inteligência artificial e a idade cronológica.

Os relógios foram distribuídos por 17 órgãos e sistemas. Eles foram derivados de ressonância magnética, perfilamento de proteínas e outras moléculas no sangue.  Segundo o artigo, a relação entre duração do sono e envelhecimento teve formato de U. Isso significa que os menores sinais de idade biológica apareceram no intervalo intermediário de sono, enquanto os extremos ficaram associados a perfis biológicos mais envelhecidos.

O intervalo associado às menores estimativas de idade biológica na população do Reino Unido ficou entre 6,4 e 7,8 horas por dia. A faixa variou de acordo com o órgão e o sexo analisado.

Os autores também observaram associações entre sono curto ou longo e maior risco de doenças, incluindo depressão e diabetes.

O que são relógios biológicos?

Os relógios biológicos usados no estudo não medem a idade registrada em documentos. Eles estimam a idade biológica a partir de sinais do corpo. A diferença entre a idade prevista por inteligência artificial e a idade cronológica é chamada de lacuna de idade biológica. Esse indicador tem sido usado para captar riscos de doenças e mortalidade.

No estudo, os autores avaliaram se o padrão já observado entre sono e envelhecimento no cérebro também aparecia em outros órgãos. A conclusão descrita no artigo é o resultado indicou um padrão distribuído pelo corpo, em múltiplos órgãos e modalidades de análise.

A próxima etapa citada pelos pesquisadores é testar se esses padrões podem orientar intervenções personalizadas de sono ou ensaios clínicos voltados ao envelhecimento mais saudável.

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