Por que IA e gêmeos digitais podem ser resposta da indústria à alta dos combustíveis fósseis
O conflito no Oriente Médio é um teste para a economia global e a forte dependência de combusíveis fósseis leva setores inteiros a literalmente "travarem" diante da volatilidade do petróleo.
Para as indústrias intensivas em energia, esse ciclo já não é apenas um risco financeiro e reforça a urgência da transição energética para muito além da agenda ambiental.
O Brasil, líder em matriz renovável, está na frente nessa corrida e desponta com uma vantagem estratégica que a maioria dos países não têm.
Daniel Scuzzarello, vice-presidente e country manager da Siemens Digital Industries Software no Brasil, destaca à EXAME que a competitividade não vem apenas da fonte de energia e sim de como ela é usada.
"A pergunta não é só 'qual combustível usamos?', mas 'como o utilizamos de forma mais inteligente?'. É aí que a transformação digital se torna peça-chave", reflete.
Ou seja, a resposta para reduzir a dependência de fósseis, segundo ele, passa pela eficiência como base.
O desperdício invisível de energia
Para o executivo, um dos maiores desafios da transição energética nas indústrias de processo não é tecnológico e nem regulatório: é a invisibilidade do próprio desperdício.
Sem ferramentas digitais, o consumo excessivo de energia se esconde nos processos cotidianos, imperceptível até para gestores.
"Uma fábrica de celulose pode descobrir que até 10% da energia é perdida em ineficiências de processo que eram invisíveis antes da digitalização", exemplifica Scuzzarello.
Em setores como mineração, celulose e petróleo e gás, a melhoria de 2% a 5% na eficiência energética se traduz diretamente em expansão de margem.
A digitalização resolve esse ponto ao criar visibilidade em tempo real. É aqui que a inteligência artificial entra como uma grande aposta.
Algoritmos de otimização ajustam operações continuamente, cruzando demanda, preços de energia e cronogramas de produção. E a tomada de decisão acontece em tempo real.
"Em um cenário de energia cara, não é possível esperar relatórios mensais. É preciso contar com sistemas que respondam instantaneamente, ajustando cargas, otimizando cronogramas e gerenciando automaticamente os custos de demanda de pico", explica o executivo.
Se a digitalização atua no presente das operações, os gêmeos digitais trabalham o futuro e projetam produtos e processos mais eficientes. A tecnologia cria réplicas virtuais completas de uma planta industrial e permite testar milhares de cenários com IA sem parar a produção.
"Historicamente, melhorias de eficiência aconteciam por tentativa e erro, muitas vezes com custos elevados e riscos operacionais significativos. Agora, podemos modelar toda a operação: cada processo e cada variável", complementa Scuzzarello.
A corrida que o Brasil pode sair na frente
A pressão por descarbonização vinda das cadeias globais de suprimentos transforma eficiência energética em requisito. Exportadoras brasileiras de celulose, minério e manufaturados enfrentam clientes que exigem compromissos ambientais e o Brasil tem condições únicas de atender essa demanda.
"Os produtores brasileiros podem superar concorrentes em preço enquanto mantêm margens mais fortes. Esse é o ciclo virtuoso: a sustentabilidade se torna a vantagem competitiva, e não o custo", resume Scuzzarello.
Para as indústrias intensivas em energia, a mensagem da Siemens é clara: a transição energética é uma corrida e a tecnologia pode definir quem chega na frente.
1/8 A energia hidrelétrica é a fonte renovável mais utilizada no Brasil, representando cerca de 57,3% da matriz energética do país (A energia hidrelétrica é a fonte renovável mais utilizada no Brasil, representando cerca de 57,3% da matriz energética do país)
2/8 A energia eólica ocupa o segundo lugar no ranking de energias renováveis do Brasil, respondendo por aproximadamente 11,3% da energia produzida no país (A energia eólica ocupa o segundo lugar no ranking de energias renováveis do Brasil, respondendo por aproximadamente 11,3% da energia produzida no país)
3/8 Energia solar: China lidera ranking com mais de 5 empresas no top 10 global de capacidade instalada. (A energia solar fotovoltaica representa cerca de 2,5% da energia gerada no país)
4/8 A biomassa, que inclui o uso de matéria orgânica como bagaço de cana-de-açúcar, madeira e óleos vegetais, é responsável por aproximadamente 7,5% da matriz energética brasileira (A biomassa, que inclui o uso de matéria orgânica como bagaço de cana-de-açúcar, madeira e óleos vegetais, é responsável por aproximadamente 7,5% da matriz energética brasileira)
5/8 Os biocombustíveis, como o etanol e o biodiesel, são importantes fontes de energia limpa no Brasil, especialmente no setor de transportes (Os biocombustíveis, como o etanol e o biodiesel, são importantes fontes de energia limpa no Brasil, especialmente no setor de transportes)
6/8 O biogás, produzido a partir da decomposição de resíduos orgânicos, é uma fonte promissora de energia limpa no país (O biogás, produzido a partir da decomposição de resíduos orgânicos, é uma fonte promissora de energia limpa no país)
7/8 A energia geotérmica, proveniente do calor interno da Terra, é uma fonte renovável com potencial de exploração no Brasil (A energia geotérmica, proveniente do calor interno da Terra, é uma fonte renovável com potencial de exploração no Brasil)
8/8 O hidrogênio verde é uma alternativa promissora para substituir o hidrogênio tradicionalmente obtido a partir de combustíveis fósseis, contribuindo assim para a redução das emissões de gases de efeito estufa. (O hidrogênio verde, produzido a partir de fontes renováveis, é uma tecnologia em desenvolvimento que pode se tornar uma importante fonte de energia limpa no futuro)
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