Por que Jaques Wagner foi alvo de operação da PF sobre caso Master
O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, foi alvo de busca e apreensão nesta quinta-feira, 18, na 9ª fase da Operação Compliance Zero.
Segundo os investigadores, o senador teria enviado a Augusto Lima dados do imóvel, do corretor responsável e da unidade nº 1.702. A compra formal teria sido feita pela Epítome S.A., com recursos de estruturas financeiras ligadas ao grupo investigado.
Augusto Lima, dono do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro, ex-controlador do extinto Banco Master, também foi alvo da PF nesta quinta-feira.
Um dos pontos destacados pela PF envolve uma troca de mensagens de maio de 2025. Na conversa, um filho ou filha do senador solicita dados do proprietário formal da unidade para emissão de um Registro de Responsabilidade Técnica (RRT), documento necessário para a realização de alterações no apartamento.
Para os investigadores, a mensagem sugere que integrantes da família de Wagner tratavam de intervenções no imóvel, apesar de ele não aparecer formalmente como proprietário da unidade.
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Também foram determinadas medidas cautelares, como proibição de contato entre investigados e suspensão de passaportes.
Segundo a investigação, Wagner mantinha uma relação antiga e próxima com Augusto Lima. Para a PF, essa proximidade teria criado um ambiente favorável a tratativas reservadas em defesa de interesses privados do Banco Master.
A PF também cita o uso gratuito de aeronaves privadas e o recebimento de ingressos para shows no exterior como elementos que indicariam proximidade entre Wagner e Augusto Lima. Os investigadores tratam esses episódios como vantagens laterais na apuração.
Os ingressos do show em Los Angeles, nos Estados Unidos, foram comprados por uma empresa ligada ao grupo investigado, que desembolsou R$ 63 mil para a compra dos bilhetes destinados a familiares do senador.
"Pronto, amigo. Seguem os outros dois. Abs", teria respondido Lima a Jaques após o pedido de ingressos.
Repasses à empresa familiar e atuação no Senado
Outro eixo da investigação envolve a BN Financeira, empresa associada ao núcleo familiar de Jaques Wagner. A PF aponta uma transferência de R$ 3,5 milhões feita à companhia por uma empresa ligada ao grupo de Augusto Lima.
A investigação também menciona planilhas com registros de pagamentos superiores a R$ 2,34 milhões a uma pessoa identificada como “Dudu”, apelido que, segundo a PF, corresponderia a Eduardo Mendonça Sodré Martins.
A terceira frente da investigação trata da atuação parlamentar de Wagner em assuntos considerados relevantes para o Banco Master.
O despacho cita interlocuções entre o senador e Augusto Lima relacionadas a propostas envolvendo a ampliação do crédito consignado, incluindo mudanças nas regras para trabalhadores da iniciativa privada, aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais.
A PF também aponta movimentações em torno da PEC 65 de 2023, proposta que tratava de temas relacionados ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo que protege depositantes e investidores em instituições financeiras.
Outro tema mencionado é a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB, banco estatal do Distrito Federal. Os investigadores afirmam ter identificado contatos e trocas de mensagens entre integrantes do grupo investigado e pessoas próximas ao gabinete do senador sobre o assunto.
Um trecho destacado na decisão envolve uma mensagem enviada por Augusto Lima a Wagner em março de 2025, durante discussões sobre a operação envolvendo o Master e o BRB. Na conversa, o empresário afirma: "Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso".
Para a PF e para o ministro Mendonça, a mensagem sugere que Wagner poderia ter desempenhado papel mais relevante do que o de simples interlocutor ocasional dos investigados.
A 9ª fase amplia o alcance político da Compliance Zero, que já havia atingido nomes como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. Desde novembro de 2025, a operação apura suspeitas de fraudes financeiras, propina, lavagem de dinheiro e tentativa de obstrução de investigações ligadas ao antigo Banco Master.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: