Por que jogadores cospem durante as partidas? A ciência tem uma explicação
Ver jogadores cuspindo líquido no gramado durante partidas de futebol pode parecer apenas um hábito curioso ou até desagradável para muitos torcedores. No entanto, a prática tem base científica e faz parte de uma estratégia utilizada por atletas para tentar reduzir a sensação de cansaço durante exercícios intensos.
A técnica, conhecida como "carbohydrate mouth rinse" — ou gargarejo de carboidrato —, vem sendo estudada há anos pela ciência do esporte. Uma revisão científica publicada na revista Nutrients concluiu que a estratégia pode melhorar o desempenho em exercícios de intensidade moderada a alta com duração próxima de uma hora, mesmo sem a ingestão efetiva do carboidrato.
O que acontece quando o atleta faz o gargarejo?
Durante a técnica, o jogador mantém por alguns segundos na boca uma pequena quantidade de bebida esportiva rica em carboidratos antes de cuspir o líquido.
O objetivo não é fornecer energia diretamente ao organismo. Segundo os pesquisadores, receptores presentes na cavidade oral conseguem detectar carboidratos como glicose e maltodextrina e enviar sinais ao cérebro.
Esses estímulos parecem ativar áreas cerebrais ligadas à recompensa, motivação e controle motor, criando uma resposta neural que pode reduzir a percepção de esforço durante a atividade física.
Por que os jogadores cospem o isotônico?
Ao cuspir o líquido após o gargarejo, o atleta obtém o estímulo dos receptores da boca sem aumentar o volume de líquidos no estômago.
Na prática, muitos jogadores combinam as duas estratégias: ingerem pequenas quantidades de água ou isotônicos para hidratação e utilizam o gargarejo em momentos específicos do jogo.
A técnica realmente funciona?
A revisão científica analisou 11 estudos sobre o tema. Em nove deles, o gargarejo de carboidrato esteve associado a melhora de desempenho em exercícios de intensidade moderada a alta, com ganhos variando entre 1,5% e 11,6%.
O gargarejo de carboidrato é apenas uma das estratégias utilizadas atualmente por equipes profissionais para otimizar o rendimento dos atletas. Monitoramento fisiológico, análise de desempenho, protocolos de recuperação e intervenções nutricionais fazem parte da rotina do futebol de alto nível.
Em competições equilibradas, como a Copa do Mundo, pequenos ganhos podem representar diferença importante ao longo dos 90 minutos. Por isso, aquela cena aparentemente estranha de jogadores cuspindo isotônico durante uma pausa para hidratação pode ser, na verdade, mais uma ferramenta da ciência aplicada ao esporte.
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